Quinta-feira, Novembro 19
Domingo, Novembro 1
TRIPAS
Chuck Palahniuk
Traduzido por Bruno Azevêdo
Out 2009
Respire.
Puxe o máximo de ar que conseguir.
Esta história deve durar o quanto você conseguir prender a respiração, e daí só mais um pouquinho. Então escute o mais rápido que puder.
Um amigo meu, quando tinha treze anos, ouviu falar da “cravilhada” É quando um cara toma no rabo com um dildo. O que se diz é que se você estimular a glândula prostática direitinho dá pra ter um orgasmo explosivo sem usar as mãos. Naquela idade, esse amigo era um tanto maníaco sexual. Sempre fuçando um jeito mais legal de dar uma esporrada. Ele sai pra comprar uma cenoura e um pouco de vaselina. Pra realizar uma pequena pesquisa intima. Aí ele pensa em como vai parecer no caixa do supermercado, a cenoura solitária e a vaselina rolando na esteira em direção à senhora no caixa. Todos os clientes esperando na fila, só olhando. Todo mundo vendo a grande noite que ele planejou.
Então, esse amigo meu, ele compra leite e ovos e açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina.
Como se ele fosse pra casa enfiar um bolo de cenoura no cu.
Em casa, ele molda a cenoura como uma faquinha. Ele a besunta com graxa e desce esfregando o rabo nela. E nada. Sem orgasmos. Nada acontece, só dói.
Então, esse garoto, a mãe dele grita que é hora do jantar. Ela diz pra ele descer, agora.
Ele tira a cenoura e esconde a peça suja e escorregadia no meio das roupas sujas embaixo da cama.
Depois da janta, ele vai atrás da cenoura e ela sumiu. Enquanto ele jantava, a mãe dele levou todas as roupas sujas pra lavanderia. Não tem jeito dela não ter achado a cenoura, cuidadosamente talhada com uma faca paring da cozinha dela.
Esse meu amigo, ele passa meses sob uma nuvem negra, esperando que os seus o confrontem. Mas nunca acontece. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível fica pendurada em cada jantar de natal, cada festa de aniversário. Cada caçada ao ovo de páscoa com os filhos dele, os netos dos filhos dele, aquela cenoura fantasma pairando sobre todos eles.
É algo chato demais pra se apontar.
As pessoas na França têm uma expressão: “O espírito da escada.” Em francês: Esprit de l'escalier. Ela fala daquele momento no qual você acha a resposta, mas já é tarde demais. Digamos que você esteja numa festa e alguém lhe insulta. Você tem que dizer alguma coisa. Então sob pressão, com todo mundo olhando, você acaba por dizer algo molengo. Mas é só você sair da festa...
Você começa a descer a escada e... mágica. Você acha a resposta perfeita, a que devia ter dado. O ponha-se-no-seu-lugar perfeito.
Esse é o espírito da escada.
O problema é que nem os franceses têm uma frase pras coisas estúpidas que você de fato diz sob pressão. Essas coisas estúpidas, desesperadas que você de fato diz ou faz.
Algumas atitudes são muito baixas até pra ter um nome. Muito baixas até pra se falar a respeito.
Parando pra ver, especialistas em psicologia infantil, terapeutas escolares dizem que do último pico de suicídio adolescente, a maioria eram jovens tentando engasgar enquanto levavam uma sova. Os pais os achariam, uma toalha enrolada no pescoço, a toalha amarrada na haste do guarda roupas, o filho morto. Esperma morto pra todo lado. Claro que os pais limparam. Botam umas calças no menino. Fazem parecer… melhor. Ao menos intencional. O tipo normal e triste de suicídio adolescente.
Outro amigo meu, um rapaz da escola, o irmão mais velho dele na marinha falou de como os caras do oriente médio batem punheta diferente da gente aqui. Esse irmão estava lotado em algum desses países com camelos onde o mercado público vende o que poderia ser um abridor de cartas chique. Cada uma destas ferramentas invocadas não passa de uma tala fina de bronze ou prata polida, talvez do tamanho da sua mão, com uma ponta grande em uma extremidade, seja uma grande bola de metal ou o tipo de empunhadura talhada refinada que você encontra numa espada. Esse irmão da marinha fala de como os caras na Arábia endurecem o pau e inserem a vareta no comprimento inteiro de suas picas. Eles batem uma com a vareta dentro e ela deixa a bronha muito melhor. Mais intensa.
Esse irmão mais velho que viaja pelo mundo, mandando frases em francês. Frases em russo. Dicas úteis de punheta.
Depois disso, o irmão menor, um dia ele não aparece na escola. Naquela noite, ele liga pra perguntar se eu posso pegar seu dever de casa nas próximas semanas. Porque ele está no hospital.
Ele tem que dividir um quarto com gente velha que vai fazer coisas nas tripas. Ele conta como eles têm que dividir a mesma televisão. Tudo de privacidade que ele tem é uma cortina. Seus pais não o visitam. Ao telefone, ele me conta como neste exato momento seus velhos poderiam matar seu irmão marinheiro.
Ao telefone, o garoto conta como, no dia anterior, ele só tava um pouco chapado. Em casa, em seu quarto, esparramado na cama. Ele acende uma vela e folheia umas velhas revistas pornô, se preparando pra bater uma. Isso é depois dele ouvir do seu irmão marinheiro. Aquela dica útil de como os árabes batem uma. O garoto olha em volta, procurando algo que possa servir. Uma esferográfica é grande demais. Um lápis é grande demais e áspero. Mas escorrendo pela lateral da vela tem uma fina a lisa crista de cera que pode dar certinho. Só com a ponta de um dedo, esse garoto arranca a longa crista de cera da vela. Ele enrola de leve entre as palmas das mãos. Longo e liso e fino.
Chapado e cheio de tesão, ele enfia, mais e mais fundo na uretra. Com uma boa parte da cera ainda pro lado de fora, ele começa a trabalhar.
Mesmo agora, ele diz que esses árabes são espertos pra cacete. Eles reinventaram completamente a bronha. Deitado de costas na cama, a coisa vai ficando tão boa, esse garoto não consegue acompanhar a cera, ele está a uma boa puxada de disparar seu jato quando a cera não tá mais pra fora.
A vara fina de cera deslizou pra dentro. Todinha. Assim tão fundo ele nem consegue sentir o bagulho destro do seu duto urinário.
Do andar de baixo, a mãe dele grita que é hora do jantar. Ela manda descer, agora. Esse garoto da cera e o garoto da cenoura são dois caras diferentes, mas todos nós meio que vivemos a mesma vida.
Já passa do jantar quando as tripas do garoto começam a doer. É cera e ele achou que ia acabar derretendo dentro dele e ele acabaria mijando tudo. Agora as costas doem. Os rins. Ele não consegue ficar ereto.
Esse garoto falando ao telefone de sua cama de hospital, ao fundo você consegue ouvir as sinetas, gente gritando. Game shows.
O raio-X mostra a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro da bexiga dele. Esse V fino e longo dentro dele, coletando todos os minerais do mijo dele. Ficando maior e mais encrespado, revestido com cristais de cálcio, fica batendo, rasgando a pele fina da bexiga, impedindo a urina de sair. Os rins estão pra trás. O pouquinho que pinga do pau dele está avermelhado pelo sangue.
Esse garoto e seus pais, sua família inteira, olhando o raio-X negro com o médico e as enfermeiras ali paradas, o enorme V de cera branco brilhando pra todo mundo ver, ele tem que falar a verdade. O jeito como os árabes batem uma. O que o irmão mais velho escreveu da marinha.
Ao telefone, agora, ele começa a chorar.
Eles pagaram a operação na bexiga com as economias da faculdade dele. Um erro estúpido e agora ele nunca vai ser um advogado.
Enfiar coisas em você. Se enfiar nas coisas. Uma vela no seu pau ou sua cabeça numa cilada, a gente sabia que seria um problemão.
O que deixou encrencado, eu chamo de Mergulho das Pérolas. Em outras palavras, é bater umazinha debaixo d’água, sentado no fundo, lá no fundo da piscina dos meus pais. Num só fôlego, eu nadava até o fundo e tirava a meu calção de banho. Eu sentava lá por dois, três, quatro minutos.
Só de bater punheta eu tinha uma capacidade pulmonar gigantesca. Se eu tivesse a casa só pra mim, passava a tarde inteira nisso. Depois de finalmente esporar o meu bagulho, meu esperma, ele ficava lá em escarros leitosos, grandes e gordos.
Depois disso era mais mergulho, pra pegar tudo. Coletar tudo e limpar cada mão cheia com uma toalha. É por isso que era chamado de Mergulho das Pérolas. Mesmo com o cloro, eu me preocupava com a minha irmã. Ou, Deus do céu, a minha mãe.
Esse costumava ser meu pior medo no mundo inteiro: minha irmã, adolescente e virgem, pensando que só estava engordando, pra depois dar à luz a um bebê retardado de duas cabeças. As duas cabeças sendo a minha cara. Eu, o pai E o tio.
No final, nunca é o que te preocupa que acaba te pegando.
A melhor parte do Mergulho das Pérolas era o duto de entrada do filtro da piscina e a bomba de circulação. A melhor parte era ficar nu e sentar nele.
Como diriam os franceses: quem não gosta de lhe chupem o cu?
Ainda assim, em um minuto você é só um garoto batendo uma, e no minuto seguinte você nunca vai ser um advogado.
Um minuto, eu tô me aconchegando no fundo da piscina, e o céu está ondulado, azul claro filtrado nos 2,4 metros de água acima da minha cabeça. O mundo está em silêncio, exceto pelo batimento cardíaco nos meus ouvidos. Meu calção de banho de listrinhas amarelas está amarrado no meu pescoço, por segurança, pro caso de um amigo, um vizinho ou qualquer um aparecer perguntando por que eu faltei o treino de futebol. A sucção firme da entrada da piscina me estapeia e eu esfrego meu rabo branco e magrelo nessa sensação.
Um minuto, eu tenho ar suficiente, e meu pau na mão. Meus pais no trabalho, minha irmã tem balé. Ninguém deve aparecer em casa por horas.
Minhas mãos me levam quase lá, e eu paro. Eu nado pra pegar outro fôlego. Mergulho e me ajeito no fundo.
E eu repito e repito.
Deve ser por isso que as meninas querem sentar na sua cara. A sugada é como dar um cagão que nunca pára. Com o pau duro e o rabo sendo mordido eu não preciso de ar. O coração nos meus ouvidos, eu fico no fundo até estrelas brilhantes de luz começarem a serpentear nos meus olhos. As pernas esticam, a parte de trás dos joelhos se arrastam no fundo de concreto. Meu dedos do pé vão ficando azuis, meu dedos dos pés e das mãos enrugados por ficar tanto tempo na água.
E aí eu deixo acontecer. As grandes escarradas brancas começam a jorrar. As pérolas.
É aí que eu preciso de um pouco de ar. Mas quando vou pegar impulso no fundo, eu não consigo. Não consigo botar os pés abaixo de mim. Meu cu está preso.
Os para-médicos lhe dirão que por ano, cerca de 150 pessoas ficam presas deste jeito, sugadas por uma bomba de circulação. Se o seu cabelo longo ficar preso, ou o seu rabo, você vai se afogar. Todo ano acontece com toneladas de gente. A maioria na Flórida.
As pessoas simplesmente não falam disso. Nem os franceses falam sobre TUDO.
Levanto um joelho, enfio um pé abaixo de mim, fico meio em pé quando sinto o solavanco na minha bunda. Com o outro pé abaixo de mim, eu pego impulso no fundo. Tô me livrando, já sem pegar no concreto, mas também sem alcançar o ar.
Continuo chutando a água, me debatendo com os dois braços, devo estar a meio caminho da superfície, mas sem subir mais nem um palmo. O coração batendo mais alto e rápido na minha cabeça.
Os lampejos de luz cruzando e atravessando os meus olhos, eu me viro pra trás e vejo... mas não faz sentido. Aquela corda grossa, algum tipo de cobra azul-esbranquiçada e entrançada, cheia de veias, saiu do dreno da piscina e tá presa no meu rabo. Algumas das veias vazam sangue, sangue vermelho que em baixo d’água parece preto e se esvai por pequenos cortes na pele pálida da cobra. O sangue faz uma trilha, desaparecendo na água, e por dentro da pele fina e azul-esbranquiçada da cobra dá pra ver pedaços de alguma refeição meio-digerida.
É o único jeito disso fazer sentido. Algum terrível monstro marinho, uma serpente do mar, algo que nunca viu a luz do dia, escondida no fundo escuro do dreno da piscina, esperando para me devorar.
Então… eu a chuto, na pele lisa e borrachuda cheia de nódoas e veias. Parece sair mais dela do dreno. Já deve estar do tamanho da minha perna, mas ainda segura firme no meu cu. Com outro chute eu fico alguns centímetros mais perto de tomar outro fôlego. Ainda sentindo a cobra rebocada no meu rabo, tô alguns centímetros mais perto da fuga.
Grudado na parte de dentro da serpente, dá pra ver milho e amendoins. Dá pra ver uma longa bola laranja-clara. É o tipo de vitamina pra cavalo em pílulas que meu pai me faz tomar, pra ajudar a ganhar peso. Pra conseguir uma bolsa de estudos como jogador de futebol. Com ferro extra e ácidos enriquecidos com ômega três.
Tida como a pílula que salva a minha vida.
Não é uma cobra, é meu intestino grosso, meu cólon cuspido pra fora. O que os médicos chamam de prolapso. São as minhas tripas sugadas pro dreno.
Os para-médicos lhe dirão que a bomba de uma piscina suga 80 galões de água por minuto. Isso dá algo em torno de 200 quilos de pressão. O grande problema é que, por dentro, nós somos todos conectados. Seu rabo é só a outra extremidade da sua boca. Se eu deixar, a bomba continua trabalhando – desvelando minhas entranhas – até pegar a minha língua. Imagine dar uma cagada de 200 quilos e você vai conseguir ver como dá pra te virar do avesso.
O que posso dizer é que as tripas não sentem muita dor. Não do jeito que sua pele sente dor. O que você estiver digerindo, os médicos chamam de bolo fecal. Antes disso é quimo, bolsões de uma baba rala recheada de milho e amendoins e feijõezinhos redondos.
É essa sopa de sangue e milho, merda e esperma e amendoins flutuando à minha volta. Mesmo com as minhas tripas se desenrolando pelo meu cu e eu me agarrando ao que resta, mesmo assim meu primeiro desejo é de alguma maneira conseguir vestir meu calção de banho.
Deus proíbe que meus pais vejam o meu pau.
Uma das minhas mão segura com força em torno no meu rabo, a outra busca meu calção de banho de listras amarelas e desfaz o nó do meu pescoço. Ainda assim, é impossível entrar nele.
Quer sentir teus intestinos. Compre um pacote daquelas camisinhas de pele de carneiro. Tire uma e desenrole. Encha de pasta de amendoim. Besunte com vaselina e fique segurando embaixo d’água. Daí tente rasgá-la. Tente partir ao meio. É muito forte e borrachuda. É tão lisa que não dá pra segurar.
Uma camisinha de pele de carneiro não passa de intestino velho.
Dá pra ver contra o que tô brigando.
Você solta por um segundo e fica eviscerado.
Você nada pra superfície, pra tomar ar, e fica eviscerado.
Você não nada e se afoga.
É uma escolha entre morrer agora ou daqui há um minuto.
O que os meus pais vão achar depois do trabalho é um enorme feto nu, enrolado nele mesmo. Flutuando na água turva da piscina do quintal deles. Ancorado ao fundo por uma corda grossa de veias e tripas retorcidas. O oposto de um garoto se pendurando até morrer enquanto bate uma. Este é o bebê que eles trouxeram do hospital pra casa faz treze anos. Tá aqui o rapaz que eles esperavam que levasse uma bolsa de jogador de futebol e tivesse um MBA. Que cuidaria deles na velhice. Eis todos os seus sonhos e esperanças. Flutuando na piscina, nu e morto. Em volta dele, enormes pérolas leitosas de esperma desperdiçado.
É isso ou os meus pais vão me achar enrolado a uma toalha ensangüentada, desmaiado no meio do caminho entre a piscina e o telefone da cozinha, os restos rasgados e esfarrapados das minhas tripas ainda pendurados na perna o meu calção de banho de listras amarelas.
O que nem os franceses falam a respeito.
Aquele irmão mais velho da marinha nos ensinou uma outra boa expressão. Essa em russo. Como a gente diz “Eu preciso disso como preciso dum buraco na cabeça...” os russos dizem: “Eu preciso disso como eu preciso de dentes no meu cu...”
Mne eto nado kak zuby v zadnitse
Aquelas histórias de como animais pegos em armadilhas vão acabar mastigando a própria perna... bem... qualquer coiote lhe diria que é mil vezes melhor que morrer.
Porra… mesmo se você for russo, um dia você pode acabar querendo aqueles dentes.
Se não, o que você tem que fazer é — você tem que rodopiar. Você engancha um cotovelo por trás de seu joelho e puxa essa perna pro seu rosto. Você dá dentadas no seu próprio rabo. É só ficar sem ar pra você mastigar qualquer coisa por aquele próximo fôlego.
Não é alguma coisa que você vai querer contra pruma garota no primeiro encontro. Não se você espera um beijo de boa noite.
E se eu te dissesse o gosto, você nunca, mais nunca mesmo ia comer calamari.
É difícil dizer o que deixou maus pais mais enojados: como eu me encrenquei ou como saí da encrenca. Depois do hospital, minha mãe disse “Você não sabia o que estava fazendo, bebê. Você estava em choque.” E ela aprendeu a fazer ovos escalfados.
Esse povo todo enojado ou com pena de mim…
Eu preciso disso como preciso de dentes no meu rabo.
Hoje em dia as pessoas sempre me dizem que eu pareço magrelo demais. As pessoas em jantares ficam todas quietas e putas da vida quando eu não como o assado de panela que eles fizeram. Assado de panela me mata. Presunto assado. Qualquer coisa que fique nas minhas entranhas por mais que algumas horas acaba saindo ainda comestível. Feijões de lima feitos em casa ou pedaços leves de atum, eu vou levantar e achar tudo inteirinho no sanitário.
Depois de você passar por uma ressecção intestinal radical, você não digere carne tão bem. A maioria das pessoas têm 1 metro e meio de intestino grosso. Eu tenho sorte de ter meus 15 centímetros. Daí que eu nunca consegui minha bolsa de jogador de futebol. Nunca fiz um MBA. Meus dois amigos, o da cera e o da cenoura, cresceram, ficaram adultos, mais eu nunca ganhei nem um quilo a mais do que eu já tinha naquele dia quando eu tinha treze anos.
Outro grande problema é que os meus pais pagaram uma nota preta naquela piscina. No final meu pai só falou pro cara da piscina que tinha sido um cachorro. O cachorro da família caiu e se afogou. O cadáver foi puxado pra bomba. Mesmo quando cara da piscina quebrou pra abrir a caixa do filtro e pescou um tubo emborrachado, um novelo aguado de intestino com uma pílula laranja enorme dentro, mesmo assim, meu pai só falou, “aquele cachorro era um maluco de merda.”
Até da janela do meu quarto no segundo andar dava pra ouvir o meu pai dizer, “não dava pra deixar o cachorro sozinho um segundo...”
Aí a regra da minha irmã não veio.
Mesmo depois que eles mudaram a água da piscina, depois deles venderem a casa e da gente se mudar pra outro estado, depois do aborto da minha irmã, mesmo assim meus pais nunca mencionaram o ocorrido.
Nunca.
Essa é a nossa cenoura invisível.
Você. Agora você pode dar uma boa e profunda respirada.
Eu ainda não dei.
Fim.
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Terça-feira, Outubro 6
Breganejo Blues PREVIEW
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Quinta-feira, Outubro 1
BREGANEJO BLUES
Pois é, pessoal. O Breganejo tá na área. Lançamento em BH antes de SLZ.Sairam boas notas no Bigorna, TexBr e hoje uma matéria bacanuda no Universo HQ
Se derrubar é penalti.
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Sábado, Setembro 12
Queima ele, porra!

gibi do marcos caldas. tem mais no www.hqmarcos.com
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Quarta-feira, Setembro 2
a posição da poesia não é a que você está pensando
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Quarta-feira, Agosto 5
três filmes de amor
FILME 01
Cena 01.
Ele entra no escritório do detetive. Noite. Interna. O detetive fuma e ele desconfia da mulher. Combinam preço, prazo e discrição total. Tomam um vinho.
Cena 02.
Foge com o detetive para a África, após descobrir que ele é, na verdade Amauri, seu amigo de infância por quem sempre fora apaixonado e com quem, em 1962, compartilhou banhos em riachos e uma jaca madura.
Cena 03.
Após 20 anos na áfrica, para onde fugiu com o detetive, entra em crise e deseja rever os filhos Alcides, Constância e Eleanor, que já devem estar crescidos sem lembrar a cara do pai.
Eleanor é aeromoça.
Constância casou com um bancário e Alcides cuida da mãe, que convalesce de câncer no intestino.
Cena 04.
Descobre que sua mulher nunca lhe fora infiel e que tudo era um plano do detetive para levá-lo para a África e cumprir a promessa de infância:
FLASHBACK à meia luz: “Quando a gente crescer, vamos morar na áfrica que nem o Tarzan”.
Cena 05.
Demora um mês para comer o detetive inteiro e não deixar provas. Vende as fazendas e volta para o Brasil para rever a família. No vôo de volta, conhece e come Eleanor, com quem terá um filho.
A mulher morre atropelada.
Cena 06.
Dá palestras motivacionais, come sushis e arroz pregado e à noite, sofre de saudades da áfrica.
FIM
FILME 02.
Cena 01
Externa. Noite.
A mulher do delegado volta para casa e não encontra nada do marido. Retratos, cuecas, brasão do Sampaio Correia.
O marido também não está.
Cena 02
Entra na sala do detetive. Interna. Dia. Plano médio. Diz que precisa achar o marido que é delegado.
O detetive diz que não acha delegado nenhum.
Cena 03.
Casam-se e o detetive se muda para a casa do marido delegado que sumiu. A mulher faz bolos e suflês.
Cena 04.
Mudam-se para a África, pois o detetive tinha um caso quente e a grana compensava. A mulher dava aulas de jardinagem.
Detetive trabalha arduamente por 20 anos no caso e finalmente o desvenda. Ficam ricos e abrem uma creche.
Cena 05
O caso chamava Jucimara e, com ela, o detetive foge para o Brasil, depois de uma cirurgia plástica que lhe transforma em mulher.
No Brasil, abre uma subsidiária da creche, que trafica rins e córneas para a costa do Marfim. Torna-se deputado federal.
Cena 06.
Plano seqüência. Dia. Nublado.
O delegado volta para casa, da guerra, não encontra a mulher e em todos os lugares que eram seus há fotografias do detetive com a mulher em todos os lugares que com ela um dia ele mesmo, o delegado, fora.
Revê a sua vida com a mulher e as atrocidades que tivera que cometer na guerra.
Perdoa a mulher pela similitude das fotos. Se ela repetiu com o detetive a vida que tivera com ele, o soldado delegado, é porque com ele foi bom.
Enfarta no carpete.
FIM
FILME 03
Cena 01.
Close na plaqueta na porta da sala do detetive, o nome dele é Jurandir e ele sonha com alguém que um dia possa fugir com ele pra África, como num filme antigo.
Come mortadela e ouve Odair José com afinco.
Loira fatal entra na sala. Fala de um caso e paga por diária.
Mulher mata o detetive.
Cena 02.
Mulher foge com o dono da lanchonete para a África e lá ele abre o seu próprio escritório. Os dois fodem pouco, mas são felizes.
Estudam línguas e culinária.
Cena 03.
Dia. Contraluz. Jovem mulher entra na sala do detetive na África e trás uma foto do pai e outra do filho. Diz que procura o pai.
Cena 04.
A mulher do detetive vira evangélica e abre uma Assembléia de Deus em Uganda, o que destrói o casamento, mas a salva para toda a eternidade. Eles não desfazem a união, mas ela não preta mais pra nada.
Cena 05.
O detetive investiga o caso da moça mãe do filho do próprio pai, que aparentemente fugiu para a África 30 anos atrás. As pistas o levam de volta ao Brasil, onde acaba por se inscrever em uma palestra motivacional por pura falta do que fazer e encontra o investigado.
Comem arroz pregado e, naquela mesma noite, decidem matar filha e mulher.
Cena 06.
Fogem para a áfrica.
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Quarta-feira, Julho 22
fotos da obra
esse trampo tem que ter alguma coisa que o faça valer à pena. dei de fazer umas fotos no campo. tão.
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Domingo, Julho 19
diário 01
e tem essa coisa de comer a lily allen.
me disseram que ela é gorda.
vai. ninguém que não se vê de verdade é gordo. só as que vivem de gordura e as piadas do jô sobre ser gordo não tem graça.
é como o pablo falou uma vez: a coisa ia pegar mesmo se o roberto carlos fizesse outro disco de rock.
na wikipedia tem que lily allen foi expulsa de vários colégios por fazer boquetes
esses dias eu pirei lendo as respostas que a fernandinha fernandes dá aos fãs no 0rkut. denovo eu penso em caice pollard, caice pollard, caice pollard, caice pollard.
ela diz que depois que passar a imagem de menininha, muda a série pra ganhar massa e bota cilicone.
ela parece a liz vicious. recomendo.
acho que a lily só funciona além da música por causa do fantástico. scott adams diz que a última invenção da humanidade será o holodeck, mas voyager é uma merda assim mesmo.
não consigo mais ouvir nada sem traduzir de imediato.
ah, e vçao fechar o bar do léo. pu! num me espanto se decidirem fechar a praia grande. a escadaria do canarinho não faz mais parte de são luís. é bonito. se toda a carga informacional de vômitos daquele lugar saisse do chão cheio de buracos... sei lá, o antigamente também vai se mudar.
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Quarta-feira, Julho 15
4 gibis
Esta semana devo receber a edição 19 da Graffiti 76% e me toquei que é a quarta que colaboro. Pu! A quarta. Lembro que, sei lá, 2000, fui à BH com a Catarina Mina e me deparei com a revista. Aquilo era fantástico! Tinham HQs do Luciano Irrthum, que eu lia em zines, e do Guga Schultze, que eu gostaria de ler mais, um acabamento gráfico supimpa e, principalmente, pretensão de ser uma obra de arte.
Passa um tempo e o Beto me pede uma HQ pras histórias de sertão dele. Escrevo um roteiro de 4 páginas que ele recusa por achar que não tinha ação e que acabo mandando por acaso ao Dsalete, que se oferece para ilustrá-la. Também por acaso a HQ foi parar nas mãos do Fabiano Barroso que pediu pra publicar, bem, na Graffiti.
Uma vez o Alexandre Linhares me falou, mas perguntando prele mesmo, porque os escritores brasileiros não imaginavam cientistas loucos no apartamento de cima e lembrei da Dragão Brasil. Me incomoda que o trabalho daqueles caras esteja à margem dos quadrinhos brasileiros e em todas as rodas de discussão não vejo menção ao que o Cassaro fez na revista. Aquele é trampo é bom, nêgo, se não bom, ao menos importante.
A Dragão era uma revista de RPG. Extremamente criativa, com muito material original e que abriu espaço pra publicação de histórias em quadrinhos e contos. 4 páginas aqui, 4 páginas ali e depois de uns anos os caras tavam com títulos em quadrinhos nas bancas, minisséries, marcas e personagens que eram deles e acabou dando em Holy Avenger blá blá blá. Mesmo o formato da revista mudou de magazine para americano para que fosse “mais facilmente encontrada na prateleira dos gibis”. A revista acabou gerando um universo ficcional (Tormenta), que gerou livros de regras, romances, suplementos, um outro universo (Trevas) e mais livros de regras, uma outra editora, mais uma pá de colaboradores e o resultado ainda tá por aí. Não sei vocês, mas pra mim o nome disso é indústria.
O que me lembro bem é que a revista foi um investimento claro nos caras que a faziam. Caras como o Evandro Gregório (que tinha um traço massa, personalíssmo, e hoje é mais um desenhista e assina como Greg Toccini), JM Trevisan, Marcelo DelDebbio (que criou Arkanum e Trevas) e até desenhistas horríveis como Joe Prado e Alex Sunders; tinha gente ali produzindo e influenciando gente, mostrando que dava pra fazer alguma coisa, publicando ficção científica, contos de terror, gibis etc. Porra, a Guerra dos mundos com Machado de Assis foi foda! Não sei onde um troço daqueles tem como sair hoje fora da web.
O que mais leio nos ciclos que discutem gibis no Brasil é que não temos bons roteiristas. O exemplo da Dragão deixa bem claro que a nossa maior carência mesmo é de bons editores, ao menos de bons investidores. Não me entendam mal, tem um monte de gente boa editando quadrinhos no Brasil, pensando num formato de mercado para obras de diversos países e não é de graça que Bonelli, DC, mangás e outras tantas formas são editadas por aqui de maneira diferente. Se são boas ou não, não me cabe, a questão é ver como estes caras lidariam com material cuja feitura estivesse sob sua responsabilidade, que dirigisse uma trupe de criadores focando um nível X de qualidade, etc e tal.
Tá, isso também existe, mas é um bocado incipiente e parte mais da lógica de captar bons artistas que formá-los. Conrad e Devir são bons exemplos (apesar de que a Conrad encomendou vários livros) e a Devir se redime com o Mutarelli, mas nós temos sem dúvida a possibilidade de ter vários Mutarellis, de lançar vários “Histórias gerais”. Para mim todas as discussões sobre a identidade dos quadrinhos brasileiras são inócuas enquanto não se editar quadrinhos brasileiros com regularidade.
Acabei de ler um gibi chamado Seis, do Bruno Bisbo, que tava por aqui faz tempo. Tá, o livro é mezzo Sin City/mezzo Cem balas, mas é o tipo de coisas que funcionaria bem se produzido regularmente, se rolasse um investimento de banca com mais dois ou três séries charmosas cujos autores pudessem crescer à medida que a produziam.
Mas bem, só rolou essa lenga toda porque me toquei que as 4 hqs pra Graffiti representam quase toda a minha “obra” quadrinhística e, sem ela me dizendo que o próximo mote é futebol ou argentina, aquelas HQs não existiriam e eu não teria aprendido o que aprendi as escrevendo e conversando com os desenhistas.
Té.
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Terça-feira, Maio 26
frederik peeters e os 200 zumbis
Pode parecer estranho, mas a modernidade é uma terra que se diverte com seus monstros. Em outras partes e noutras formas de fazer, os monstros eram monstruosos e alguns existiam para além da metáfora ou ao menos para além do conhecimento. E aí que a gente chega na era do horror cínico, que serve à nossa diversão mais que ao nosso engasgo e a própria construção do monstro se revoluciona a cada temporada, de bran stocker à anne rice, de anne rice a mark rein (bolinha) hagen, de mark rein (bolinha) hagen à esse vampiros viadinhos ninguém mais respeita os monstros que geram uma bolada.
A indústria do cinema chapou os nossos cocos de monstros dos mais absurdos (tá, a maioria veio da litratura/gibis), de mutantes do espaço a bonecos assassinos, é interesantíssimo pensar como algumas épocas como os anos 80 podem ser definidas por seus monstros.
Eles estão em toda parte, como era de se espear, e de vez em quanto a gente se depara com uma esquina mortaviva. Foi o que aconteceu com o Portrait as living deads, blog que encontrei por acaso. Cheio de desenhos de celebridades como Britney Spears e Chet Baker em seus estados post morten e sem nenhuma palavra.
A grande sacada é que zumbizar estas pessoas é lhes conferir uma presunção de humanidade que elas nunca tiveram e foi isso que me levou a procurar o autor dos desenhos pra entrevista abaixo:
O puta - O que aconteceu antes em sua vida. Desenhos ou quadrinhos?
Peters - Desenho. Como todo garoto. A diferença pras outras crianças é que eu não parei
O puta - De onde veio a idéia do “Portrait as living deads”?
Peeters - Eu queria um tema para treinar aguada diariamente, com disciplina rígida. Pensei nas paisagens chuvosas da Holanda, mas era meio brega. Os retratos de pessoas através do século me permitiram desenhar vários tipos de roupas, atitudes, origens. Como todas as outras idéias, eu não lembro de onde essa veio. Mas muito rapidamente surgiu a idéia de que seria interessante se eu desenhasse um monte de zumbis, uns 200, para dar a sensação de uma invasão. A massa é interessante. E é divertido, porque todas as pessoas que escolho são muito famosas em seus domínios, ou até reverenciadas nas culturas ocidentais, então dá pra deixar os pensamentos voarem em várias direções, a relação com a busca da imortalidade através da fama e do poder, por exemplo...

O puta - Qual o seu background com zumbis?
Peeters - Eu aprecio muito todo tipo de cinema, especialmente os antigos filmes europeus e americanos. Já vi muitos filmes de zumbis, Romero, é claro, mas tenho um carinho especial pelo Lucio Fulci. Zumbis são interessantes porque trazem aspectos sociais e políticos ao terror.
O puta - Qual a conexão entre as pessoas que você transforma em zumbis? O que é necessário para ser retratado como um morto-vivo?
Peters - As pessoas tem que ser famosas (ao menos na minha parte do mundo). Mas o mais importante é que eu tenho que ser inspirado por eles, digo, em um nível gráfico. Eu tento não tomar um posicionamento moral. A morte não é moral. Eu desenho Gandhi e Hitler, Arafat e rabin, Paris Hilton e Patti Smith…
O puta - A maioria dos monstros modernos como os vampiros e o Frankestein representam uma fachada do comportamento humano face a um mundo que mudava rapidamente; qual o papel dos zumbis nessa lista?
Peeters - Eu já respondi o que podia sobre isso. Ah, e não se esqueça que pode ser só diversão! É um exercício. Como o treino de um pianista. 45 minutos por dia, fora do meu trabalho principal, que é escrever e desenhar histórias.

O puta - No começo, você só zumbificava pessoas já falecidas, mas agora temos alguns caras vivos por lá. Por que a mudança?
Peeters - Este foi o principio desde o começo. Eu não lembro o motivo. Provavelmente porque o presente é um momento minúsculo e todo mundo vai acabar morrendo mesmo. Mas todas estas pessoas, mortas e vivas, dessa grande família de gente famosa que simbolicamente nunca morrerão porque nos lembramos deles. E é um espelho, porque não é esse o sonho secreto de todo mundo hoje em dia?
O Puta - Alguma das celebridades já se incomodou com o seu trabalho? Você zumbificaria alguma celebridade se ela te pedisse?
Peeters - Parece que ninguém se importa. Ninguém reclamou. Eu acho que a internet é muito ampla. Este blog é uma gota no oceano.
O Puta - Recentemente, a Lego lançou uma série baseada em gente famosa como Ammy Winehouse e Madonna; a MTV tinha o Celebrity death match (tipo de luta de delecatch com famosos) e a vida privada de pessoas públicas se torna cada vez mais pública. Qual a sua opinião sobre isso?
Peeters - Eu não brinco mais de Lego e não assisto MTV. É melhor pra saúde mental. É só negócios e eu não faço negócios.
O Puta - Portrait as living deads é uma página sem palavras com uma mensagem porrada. Você pretende reunir os desenhos em livro ou algo assim? Há um argumento maior ou são só desenhos de gente morta-viva?
Peeters - O objetivo final é uma exposição com os 200 retratos, todos misturados, na mesma parede, pregados como borboletas mortas. O objetivo é o efeito da massa. A primeira esposição sera na Suiça, espero que ela viaje.

Frederik Peeters (como descobri depois) é autor de quadrinhos suiço um bocado badalado. Seu livro mais famoso é Blue pills, que ganhou o prêmio de melhor livro en Angoulême. Portrais as living deads foi encerrado em 24 de maio, com o desenho do próprio autor, mas ainda está no ar em www.portraitsaslivingdeads.blogspot.com
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Domingo, Abril 5
Quinta-feira, Abril 2
Sexta-feira, Março 27
Segunda-feira, Março 9
a comadre do zé

esse verso li faz muito tempo, num cordel que contava a tão famosa chegada de lampião no inferno, umahistória que já teve várias versões e todas as que li provam o que é de costume saber - virgulino mete taca até no cão! o verso inicial ficou na cabeça, acho que pelo "teleguia", que mete a gente lá na cabeça do poeta e cria um certo ar sci-fi do mato, um lance meio totonho e os cabra.
zé é um cabra cheio de filhos que, para os rebentos, já convocou toda a cidade a padrinho. com a gravidez mais recente da esposa, se vê no dilema do filho pagão e é aqui que lhe aparece a comadre, de quem ninguém escapa... bem, quase ninguém.

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Sexta-feira, Março 6
jaca e o baseadão
tento lembrar mas não me vêm à cabeça o ano que a vida é uma festa começou e quase esqueço que ele um dia foi no adalberto e que junior assis era um dos caras à frente do negócio. migraram pra companhia circense de teatro de bonecos, mas continuaram ganhando porra nenhuma com o evento e o mantendo exatamente do mesmo tamanho, faça chuva ou não porque sol nem tem como. zé maria e sua trupe conseguem fazer há anos um troço completamente apartado de qualquer tipo de política de qualquer merda (assim espero) e é embalada por uma banda que não à toa chama casca de banana.
como essa que o jaca escorregou.
uma vez tentaram embargar a vida é uma festa, mas ontem, quando fui na delegacia da rua portugal dar uma mijada, o meganha de barriga pra cima e assistindo TV me disse que já falou diversas vezes que deveria ter um banheiro químico na frente do teatro... "esses caras só querem ganhar grana", completou cruzando as pernas sobre a bancada.
a balaiada no palácio, imagino, tinha aquela cara de final de copa, com tudo preparado pra festa, seja rindo ou chorando. eu tava em casa e ouvi a verborréia até umas duas da manhã, quando disseram finalmente que o cara tava fora e que zé reinaldo é uma piada do chaves ambulante. jaca recorrerá e espero muito que levem ele pro saco pelo simples motivo de que sua sucessora provavelmente morre antes dele. o maranhão tem um senador zumbi e teremos um gólem como governadora e por isso que eu vi bela lugosi dançando feito um louco na vida é uma festa e que a bolha temporal inclui formol, fraldas geriátricas e dubladores invisíveis. porra: BALAIADA!? caralho, não tem cu que aguente! dia desses recebi um email do joão com um troço tipo "a balaiada venceu o AI-5" e fiquei pensando naqueles crossovers absurdos que se faz pra vender gibis.
tenho medo de cair uma bomba na vida é uma festa e descobrirem que lá tava cheio de gerôs.
estamos presos num presente que não passa e no final das contas eu prefiro o bigode porque ele é mais divertido e não comete essas vaciladas de amador. dom corleone ou toni montana, quem tu prefere? me alegro pensando nos FPs se bolindo pensando no que vão fazer.
façam o que vocês quiserem com a porra do governo, só não bulam na vida é uma festa, por favor.
maranhão: tempo de mulher de malandro
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Sexta-feira, Janeiro 30
o matador de funcionários públicos
algumas coisas são mais fáceis quando chove.
coisas pifam. param. deixam de funcionar.
ao telefone ouço só amanhã e sei que é hoje. carteado. bato n0 vidro. uma plaquinha escrita à mão diz SISTEMA FORA DO AR e eu insisto.
escrava isaura passa na 14 polegadas e eu passo o fulano tão rápido que o baralho voa.
não quero ouvir mais nada.
com a chuva, não vou estar mais aqui quando alguém aparecer.
colo a placa na porta.
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Quarta-feira, Janeiro 28
Rafael Castro: MALDITO!

O link do myspace é: www.myspace.com/sabesp.
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Sábado, Janeiro 17
sobre a mpb
O cara ficava sentado no balcão e o cotovelo, segurando a cabeça pesada de cana, fazia o único ponto seco no vidro.
Tocava Scorpions
Ele olhava pra mim e dizia. Porra essa música aí é tipo uma MPB dos estados unidos.
O Scorpions é alemão, falei.
Então é uma MPB da Alemanha, saca?
Bem aventurados são os bêbados.
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Quinta-feira, Janeiro 8
janeiro
cabelo de milho disse que o cara mataria uma galinha se ela tivesse com fome.
ela tem medo de galinha e eu sabia, mas o cara era mais pescador que agricultor. ela disse que era tudo e que queria aceitar, mas acabou por dizer nada. era só um interior e ela faria tudo que se faz numa cozinha e tudo que se faz numa casa quando o confinamento nela é o que resta.
sem esmaltes, mas tava bom.
o que ele quer comer, pesca, ela deve ter me dito assim. sem as maldições da titularidade, aquela coisa de ultrapassar o entendimento.
quando quero vomitar, finjo que é bocejo... nem sempre passa, mas dá a segurança de que o máximo que me acontecerá e a cara de kiko e a mudez de soslaio. nem sempre tenho a melhor informação pra dar em troca, minha história fica menos na mínha memória que as dos outros. vai que um dia aprendo a pegar peixes e passo a não entender o que antes entendia de porque a menina não ficou por lá, se tinha tudo e tudo era pouco, mas era tudo.
a desgraça é uma via de mão dupla.
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Sábado, Dezembro 13
FALIMOS!
no circo lotado, a plenos pulmões, de pau duro e na total ciência de estar prestando um serviço de extrema relevância e correndo o sério risco de ser taxado de louco. aos interessados, recomendo, que o bagulho faz bem!
já tinha desencanado desse assunto, mas olhar o cara ali no palco fazendo propaganda política da maranhensidade num festival inexpressivo era muito tentador: surtei! o sujeito até tentou ignorar, mas virei uma metralhadora giratória de insultos que serviria mais pra me desafogar que para afogá-lo. parece que o segundo (ali) eu consegui, o primeiro, só piorou. eu era o homem bomba da mediocridade maranhense, o molotov da vergonha local e lá estava, pra variar, me auto-sabotando.
é que além das 50 pessoas que acessam este blog todo dia e, sei lá, os 300 que tavam no circo, ninguém sabe que um “arruaceiro” insultou sem meias palavras a maior autoridade da cultura do estado num lugar chapado de jornalistas e “formadores de opinião”.
falimos, maluco!
mas por que diabos isso deveria ser notícia?
mas por que diabos alguém xingaria o secretário?
pois é. também acho que poderia gerar um debate... também acho que chegar ao extremo tem um propósito e perder a razão pode ser a única forma de apelar a algum nível de racionalidade e sou plenamente à favor da violência para abrir linhas de diálogo quando as linhas normais falham. me dou todo o direito de permanecer violento!
e é isso aí: fomos à bancarrota. falimos!
alguém por favor dinamite o estreito dos mosquitos que a nossa esquizofrenia chegou a níveis tão assombrosos que ando vendo secretários de cultura e caralhinhos de asa a todo canto, talvez a pessoa ao seu lado só exista para você. tenho medo de pedir um sanduíche numa cidade que convoca a balaiada (!) pra defender o governador na frente do palácio. a estas alturas, só o que nos salva é uma batalha campal, que polícia ele vai mandar bater naqueles caras? era pra despertar simpatia?
acho que o joão já tinha saído do palco e a metralhadora não parava. não sei se quando ele disse sarney o barulho além do meu foi de ovação ou ojeriza. não sei mesmo, mas uma gorda veio pra cima de mim bufando (sempre tem uma gorda) e eu disse que não tinha feito nada além de falar, mas que ela poderia me bater, se quisesse. uma pá de seguranças apareceu e gentilmente me escoltaram para fora do circo sob novos pedidos de que me batessem muito.
a gorda me deixaria menos quebrado, mas os seguranças eram um corpo oficial e as pancadas deles valiam mais. bem, parece que alguém ali é bem instruído e os seguranças riam de mim, dizendo aos meus amigos que não iam me bater e eu perguntava “por quê? olha o que eu acabei de fazer!?”
se o espaço público brasileiro é a tv, o jornal e por aí vai, se algo passível de discussão se legitima enquanto tema pela mídia, nós super falimos, maluco! nada em jornal algum nem pra me chamar de inconseqüente, nada em jornal algum nem pra me inserir na campanha do golpe, nada de am pra dizer que quem parte pra violência perde naturalmente o argumento. nada de se estranhar em um lugar onde a crítica inexiste a as páginas culturais são agendas e colunas sociais incapazes de exercer um papel que não o de coladores de releases sempre elogiosos e ninguém diz isso por medo de não estar mais nos jornais cheios de gente que a gente conhece e, fazer o que, gosta.
lembro que o dyl pires foi vetado do imparcial uma vez: brigou com o editor e brigou com quase todos os caras sobre quem escreveu porque, e isso é achismo, tava direcionando a fala mais a seu objeto que a seus objetivadores. dia desses o li lamentando no blog que, mesmo após décadas de crítica teatral, ainda não conseguira dialogar com ninguém. lulo, nós falimos, cara! só nos resta essa coisa sem calcinha que retira a queixa porque a ressaca passou. golpe não! fica a dúvida se o objetivo é destruir o he-man ou conquistar o castelo de greyskull
só espero ter causado algum mal genuíno e ulceroso equivalente a meu próprio desconforto.
já era, maluco. falimos! nem bota a viola no saco que o saco furou.
maranhão: tempo de mulher de malandro
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bruno azevêdo
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Quinta-feira, Dezembro 4
quatro textos
01
Ela perguntou e respondi na lata
Não sei.
Mas sabia. Não sei era pra ganhar tempo. Algo espocava lá fora, não dava pra ver pela janela, mas eu sabia. Disse que não pra ganhar tempo.
Vamos sair. Eu quero ver o que foi aquilo.
Se você aprende a olhar fixamente prum único ponto enquanto faz várias outras coisas, como falar com as pessoas, elas acabam ficando com medo de você depois e vão te deixando em paz.
Nem sempre funciona.
E agora eu tava com o pau mole nas mãos, todo sujo.
Ela disse que não queria sair.
Eu disse que nem queria ter vindo, que ela tinha entendido errado.
Ela tava certa, era a hora de pegar as coisas e ir embora zangada.
Só que a desgraçada disse: tá bom, vamo lá, vamo ver o que foi aquilo, mas na volta você vai conseguir me comer direito, não vai?
02
Enquanto derrubava o gelo que tinha virado água no chão, pela torneirinha pregada na caixa de isopor, o velho sentia o frio respingando no pé e achava aquilo bom pra caralho. Era a melhor parte: o frio parecia subir pela perna e ir contaminando o corpo inteiro, dando ao velhinho a ilusão de virar um enorme urso negro, peludo e ameaçador. Não usava sapatos, mas uma alpercata de couro, a calça dobrada e dobrada.
Fecha a torneira, bota a caixa do ombro, mais leve.
03
Era um esporte novo. Novíssimo, mas naquele dia não rolava.
De um lado a outro dava menos de 100 metros. Pela medida deles, pouco mais de três carros emparelhados. A emoção era chegar do outro lado da ponte mais rápido, sem olhar pros lados, sem olhar pra baixo.
Só pra frente, pra frete.
Pula.
Corre. Pula.
Um dia desses um carinha se empolgou tanto que caiu no rio. A maré tava seca. Se fodeu.
Com a ponte engarrafada não tinha graça. Plano B.
04
— Qual teu nome?
— E o teu, qual é?
— Jairo.
— Jairo? Ih, ai não dá. Jaira é muito feio. Tem problema se mudar?
— Eu gosto de Jaira.
— Mas eu não. Num consigo nem falar.
— Eu pago legal.
— Com esse nome não dá! Alem do mais, vai ter que esperar o show acabar.
— Peraí. Meu nome foi mamãe que me deu! Eu não posso jogar fora um negócio que mamãe me deu por causa de uma puta.
— Quem perguntou foi tu.
— ...
— Dá pra ser sem nome?
— Aí eu te chamo de quê?
— Sei lá... o nome da tua mãe, qual é?
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Quarta-feira, Dezembro 3
música é quadrinhos
chuck palahniuk disse que devia ter algo errado com uma sociedade que dança ao som de sirenes de emergência.
e se rolar uma emergência?
pare a música.
hang the dj!
silêncio é distúrbio. o silêncio não existe, nunca existiu, e a cada dia diminuem suas chances de existência.
dizem que o som nunca se esvai, fica vagando por aí nalguma freqüência obscura e em milhares de anos, a milhões de quilômetros, todas as merdas que você disse ainda estarão lá.
mi menor é uma abstração tão absurda quanto um número 42 e enquanto adorno se engasgava com o jazz os jazzmans já ensaiavam o rock and roll.
punk eram as putas do shakespeare.
ambulâncias tocam funk carioca e marchas cívicas do período varguista.
há sons que dão barato e descobriram a freqüência da maconha, do ácido e do chá de capim-limão.
um ruído é uma cor e uma forma.
todo traço é uma freqüência e max weber gasta páginas e páginas punhetando em números e raízes quadradas num livro absolutamente sem som.
peanuts.
from hell.
akira
música é quadrinhos.
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Quinta-feira, Novembro 20
Quinta-feira, Novembro 13
Jozz e o bonde
este blog anda paradaço, eu sei, e isso me entristece. por outro lado, acho que em 2008 consegui fazer mais gibis que no resto da minha vida e ando com a sorte de trabalhar com gente boa pra caralho!
os desenhos desse post são do Jozz (www.jozz.com.br), para uma hq curta a sair numa antologia gringa. a história é levemente inspirada no sambaço "o bonde são januário", de wilsom batista e ataulfo álves.
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Sexta-feira, Outubro 24
GEORGE ROMERO E JESUS CRISTO
ou um filme de zumbi com gente cega
Pra mim, Ensaio sobre a cegueira é um filme mela-mão. Mela-mão e irritante. Primeiro pela minha crença de que nada precisa ser nada além do que já é e por si isso transforma 90% da indústria do cinema em mela-mão.
A competência técnica de um filme numa indústria onde a técnica está acima da idéia não pode constar na lista de itens mencionáveis, o filme é bonito e blábláblá, mas George Romero conseguiu fazer um filme de zumbis melhor com uma meia dúzia de colegas 50 anos atrás e sem frescurinha católica.
Se você não notou que Ensaio sobre a cegueira não passa de um filme de zumbis disfarçado de cult e com grife de prêmio nobel, desculpe, mas você é meio bocó.
Urbanidade, impessoalidade, pessoas estranhas aparentemente sem conexão, fenomeno repentino e inexplicável que transforma a sociedade, temos padrões de comportamento entrando em choque.... briga pelo básico e imperadores de pilhas de lixo.
Irracionalidade, construção de guetos e a tentativa desesperada de manutenção de algum valor da antiga civilização.
Reconhece?
A diferença aqui é a figura cristã do cara que carrega o fardo da humanidade. Se no país de cego quem tem olho é rei, no país do saramago quem tem olho se fode (literalmente), leva chifre, apanha e segura a onda naquela de que o sofrimento seu é importante à redenção coletiva.
Pois é: redenção = cinema.
Prefiro os que me mordem o pescoço e custam mais barato.
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Terça-feira, Outubro 21
GRAFFITI 18
Quem leu os posts sobre o seu Cabral por aqui deve saber que o lance todo era pra fazer uma hq. Bem, esta hq (ao menos a primeira delas, pois há a possibilidade de continuar) está na edição #18 da Graffiti 76% quadrinhos, revista mineira na qual tenho publicado quadrinhos (já foram 3 edições!!!).Os desenhos são da resplandecente Licida Vidal, com letras do Gabriel Girnos, e vocês conferem abaixo:
Pra quem tiver em São Paulo, o lançamento é sexta-feira, 24 de outubro, durante os eventos de comemoração do primeiro aniversário da livraria HQ mix.Por aqui, vai rolar uma exposição dos desenhos no bar do seu Cabral e um pequeno lançamento lá mesmo.
Só não me perguntem quando.
O putaquipariu! volta quando der.
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10:59 AM
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Quinta-feira, Setembro 18
O MATADOR DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
ela riu quando disse que a foto era de outro cara.
e era.
passei pelo guichê.
ela disse que a foto nem sempre parece o fotografado e que eu ali era eu ali e o cara da foto, bem, era uma foto.
no fim acho que ela gostou mais do cara da foto e acabei imitando o sorrisinho dele pra fazer a pergunta escrota.
que horas você sai?
três horas.
três horas. ela entrou 10.
não tem lá muito lugar pra se ir às três horas, falei.
é. geralmente vou pra casa.
entendo.
o cara da foto ficou lá na casa e a foto da dona hoje eu tenho na carteira.
desculpa, até falei, mas às três da tarde não dá.
embaixo das costelas, 45graus, não tem quem resista.
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Sábado, Setembro 6
o saldo da maranhensidade
o maranhense é esse bicho que nasce e se fode. se não nasce pelo cu, nasce no. fazer o quê?
daí que fiz a carta pro secretário e, semanas no escuro, posso dizer com todas as letras que se eu vomitar e cagar em cima de um hutt morto ainda vale mais que a gestão da secma, com seu secretário mal educado, covarde e incompetente.
mas, va lá, o cara tá na dele, indo em posse de ministro e chorando. como diria um fulano sobre as indenizações do ziraldo: tá colhendo o investimento.
um cara me disse dia desses que o pai dele tinha trabalhado muito na vida, mas que finalmente conseguira um emprego na ufma e poderia descansar. tomara que o pai dele pegue câncer na traquéia e precise do sus, onde haverá, como na ufma, um monte de gente descansando.
o joão não respondeu a minha carta e me toquei que devo ser a única pessoa que não o trata pelo diminutivo. a repartição alegou que são poucos braços. tentem tirar esses braços das cuecas e enfiarem em algo de útil e vocês verão o que pode sair.
me ligaram pruma reunião e perguntei se era alguma nova modalidade de cinismo. não fui, mas deve ter sido gozada. queria ter ido. novas modalidades de cinismo para novos tipos de humor; o sitcom da repartição.
no fim das contas, ajudei meia dúzia de escritores cagões da maranhensidade a ganhar uma grana, olha só! essa mediocridade me incomoda mais que a secretaria. se eu vomitar e cagar em cima de um hutt morto e jogarem o joão por cima ainda dá menos asco.
no fundo, tudo que fiz foi contribuir pro espirito de funcionalismo público da maranhensidade. recebi respostas toscas como "sempre foi assim" e "não atrapalhe o trabalho desta gestão antisarneysta", não fique no caminho da revolução ou serás atropelado pelo trem da história.
anti-sarneyista de cu é rôla! o trem da história não passa na madredeus.
não dá pra criar uma discussão aqui.
não há espaço público.
todos ao topo do edifício caiçara.
o último que sair dinamite o estreito dos mosquitos.
por favor.
PS. comecei esta porra só e só a dou por encerrada
maranhão: tempo.
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Segunda-feira, Setembro 1
NOITE LUZ de marcelo d'salete
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Quinta-feira, Agosto 21
MARANHENSIDADE DE BOLSO
Ao Sr Secretário de Estado da Cultura do Maranhão, João Ribeiro.
01.
Terça feira, 05 de agosto de 2008. Por ser São Luís, estava quente. Entrei na repartição pelo único motivo possível: dinheiro. Após alguns minutos, fui encaminhado ao departamento financeiro. Lá, descobri que do total de 6.225,00R$ que a repartição me devia, 1.186,79 R$ seria retido como imposto de renda. “E ele vai ter que comprar uma nota fiscal avulsa, viu, lá na prefeitura”, disse a funcionária pública, à outra, ao telefone. Também soube que teria que me cadastrar no SIAGEM. “Então ele vai ter que se cadastrar, se não ele não tem como receber. Porque o Estado só paga, meu filho, se for cadastrado.”
Falei que não abriria uma nova conta em banco e ouvi que então o problema era meu e que “se não fizer isso você não recebe, querido”. Disse que eu teria que me cadastrar como prestador de serviço e receberia dentro da misteriosa “rubrica 32”, quando antes eu já havia dito com todas as letras:
— Eu não estou prestando serviço pro governo do Estado, eu ganhei um concurso!
02.
O concurso em questão é o que carrega o nome do Gonçalves Dias ou o plano editorial 2007, lançado em meados do ano passado. O nome em si carrega dois contra-sensos, já que aparentemente não há nenhum plano por trás do prêmio e, obviamente, não se editou nada. O objetivo de “estimular e valorizar a produção literária no estado”, estampado no edital, ganha ares anedóticos com o desenrolar dos fatos, e mostra o comprometimento, interesse e competência da Secma em gerir as propostas que a mesma Secma formula. O plano amontoa uma série de equívocos e esta carta é um pequeno relato de minha experiência com ele.
Mandaria um rim no envelope se tivesse me sobrado.
03.
Quando me inscrevi no prêmio, cometi a patacoada ingênua de achar que a repartição seria capaz, em algum momento, de compreender, lidar ou editar uma ou um conjunto de obras literárias. Com a iminência de publicação e pagamento dos prêmios dois meses antes das eleições, me vem a idéia de que talvez eu possa ter sido ainda mais ingênuo e que compreender, lidar e editar um ou um conjunto de obras literárias deveria realmente ser um papel para editores profissionais e não de FPs.
Trabalhos inscritos, a premiação, que originalmente seria divulgada no dia “19 de novembro, no site da Secma”, só saiu no dia 14 de janeiro do ano seguinte. A repartição argumentou que “a demora na divulgação do resultado deu-se em virtude do volume de obras inscritas”, o que demonstra, como eu diria... um certo despreparo em operacionalizar seu edital, ou ainda a incapacidade de lidar com um edital que apresente bons resultados, dando a entender que a competência da Secma é diretamente proporcional à impopularidade de suas ações. O fato é que o atraso já deveria constar aos senhores como um alerta de que algo estava errado em vossa gestão (ou seria normal?) e que as pessoas que confiaram à secretaria suas obras mereceriam algum respeito.
Vale lembrar que a promessa feita ano passado, como adendo à desculpa pela trapalhada, foi de que o novo edital sairia mais cedo, para que não houvesse atraso nos resultados. Este prazo vocês (também) já perderam.
A Sra do financeiro, que se identificou como Maria, respondeu, ao ser questionada sobre as exigências não estarem no edital, que “aí eu não sei, se erraram isso lá pelo edital isso é problem... ehhh... o SADC que tem que te explicar o que eles botaram no edital”, também me disse que o pagamento do plano do ano passado está sendo feito com dinheiro do deste ano, já que o de 2007 foi devolvido por não ter sido pago a tempo por vocês, o que me faz pensar em como os pobres inscritos no prêmio deste ano receberão.
Saí da Secma com um nó de ódio enfiado na garganta, por ter sido humilhando, ter perdido meu tempo e por morar em um lugar no qual o Estado se põe a editar livros e promove um embuste.
04.
O edital diz que “Após a divulgação dos resultados, os autores contemplados terão o prazo improrrogável de 72h para a entrega dos originais definitivos, que serão encaminhados para a gráfica, para impressão e publicação”, mas no documento do resultado consta que “Os contemplados devem aguardar o contato da Secretaria, que lhes orientará com relação à entrega dos originais para publicação das obras e agendará solenidade de premiação”. Tanto os originais não foram requeridos como este contato nunca aconteceu, a “solenidade”, suponho, deve estar marcada para breve.
A palavra “grosseiro” seria elogiosa para descrever o edital, do qual se espera algum valor legal, coerência, informações precisas e que fale com a seriedade e lisura que se exige de uma secretaria de estado.
05.
Mais de sete meses se passaram do resultado e eis que recebemos um e-mail da repartição, informando a intenção do pagamento do prêmio. Foi-nos solicitado que levássemos “com a maior brevidade” (no que se constitui um humor refinadíssimo. Parabéns!), documentação que incluía um nada-consta da Caema! Pelo que entendi (e repliquei o e-mail pedindo detalhamento), o procedimento seria o seguinte:
Primeira fase: Ir ao Shopping do Cidadão (constava assim no e-mail) e conquistar o nada-consta com a Caema.
Segunda fase: Obter cópias de RG, CPF, comprovante de residência e extrato de uma conta corrente no nome do beneficiado.
Terceira fase: Entregar toda a documentação na repartição, que lhe agraciaria com uma declaração.
Quarta fase: Entregar esta declaração no SIAGEM, para então obter o cadastro como prestador de serviço do governo do Estado! (esta fase poderia ser pulada se você fosse funcionário público).
Quinta fase: “Comprar” nota fiscal avulsa na prefeitura e, naturalmente, pagar os impostos devidos (no meu caso, teria de tomar emprestado os já citados 1.186,79 R$).
Sexta fase: Retornar à Secma com a nota fiscal, entregá-la e esperar o depósito.
Fase final: Virar o novo Gonçalves Dias!
Nenhum destas fases consta no edital e também não há nenhuma menção à necessidade de conta corrente, nada-consta, inscrições como prestador de serviço e muito menos à participação em algum tipo de gincana de humor negro. Nenhuma das exigências se sustenta dentro do nosso acordo.
06.
Na minha opinião, a Secma falhou antes de tudo com o restante da gestão estadual e da imagem que dela se registrará, no que tange as ações voltadas para o fomento da literatura. A repartição parece ter cabulado a aula básica do exercício do poder, que diz que apontar o que há de melhor na produção literária de um lugar é exercer autoridade e legitimar o próprio papel do Estado. O recorte obtido pelo que se referenda, edita e distribui é nada mais que um recorte de si mesmo e o que se vê é que o recorte da Secma é o do atraso, na inação e da nulidade de suas próprias propostas, no que vocês provavelmente argumentarão ser tradicionais na gestão do Estado e que eu treplico com vossos próprios slogans de campanha. Se há algum tipo de estratégia genial por trás disso que me tenha escapado, por favor, esclareçam.
07.
O fato é que até hoje não recebi nada, não tive nenhuma obra editada pela Secma e me sinto desrespeitado, lesado e ofendido pela falta de seriedade desta secretaria. Nenhum desconto estava previsto e não posso de forma alguma aceitá-lo. Não entregarei meus originais para impressão por esta secretaria. Se vocês trataram o prêmio assim antes da publicação, imagino que o que farão com o material impresso (no caso, 700 cópias de cada título) será, no mínimo, tão amador quanto. Minha obra é melhor que sua repartição.
Tenho vergonha da Secma e me sinto burro e derrotado por ter achado que um apinhado de funcionários públicos pudesse ter consciência da importância de suas ações e capacidade técnica para operacionalizar seu ofício. Imagino que a sensibilidade exista pelo simples fato de ser uma gestão “de artistas”, carregada de uma aura messiânica que reflete a esfera federal, mas a capacidade técnica, no tocante ao plano editorial, me faz pensar que o Maranhão ainda precisa de bons compositores. A repartição não demonstrou nenhum planejamento ou preocupação em relação ao prêmio e parece fazê-lo mais por pressão de lei que por alguma compreensão de que seu metiê, a “cultura”, difere do papel mais exposto do Estado de construir pontes, tapar buracos e jogar responsabilidades para os mandatos vizinhos.
A Secma deve aos autores um pedido formal de desculpas, por atrasar suas obras e seus planos para elas, inadimplência e por usar de burocracia autoritária para efetuar os pagamentos. A Secma me deve dinheiro e isto, para parafrasear sua nobre colega, é problema inteiramente de vocês.
E viva a maranhensidade!
bruno azevedo
bazvdo@hotmail.com
São Luís, 19 de agosto de 2008
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Domingo, Agosto 17
LEIDIANE na MOJO
esta semana tenho um pequeno texto na MOJObooks, inspirado em leidiane, de júlio nascimento
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9:17 AM
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Segunda-feira, Agosto 11
eu sou o FP do futuro
essa cidade precisa dum vazamento de plutônio.
ou petróleo, mas precisa de uma merda.
essa cidade precisa urgentemente que o sarney volte a cagar na nossa cara com mais frequência. se o sarney fosse um super herói o poder dele seria o de fazer sentirem a falta dele, pelo mesmo motivo que um a facção do PT sente falta do FHC.
eu fico aqui querendo o sarney de volta só pelo ícone.
por essa eu quero mesmo é a ditadura. nem vivi, mas como falam deveria ser muito divertida.
na parada gay todo trio tinha um santinho, todo flyer tinha um número, toda biba tinha um patrocínio.
se alguém souber do sarney, digam que sou fiscal dele.
maranhão: tempo de lamber vômito.
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Terça-feira, Julho 22
GRAFFITI
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Domingo, Julho 6
BREGA É TU! bregueiros unidos param blog raivoso
este blog anda paradaço, eu sei.
parei tudo por um mês pra terminar a maldita monografia e, de quebra, comecei a trabalhar feito gente.
bem, a mono já tá pronta e esse post é um convite pra apresentação:
BREGA É TU! [brega de teclado. maranhão. anos 90] é tentativa de resgatar a história de uma geração de cantores que usou predominantemente os teclados "com ritmo" no maranhão na década passada e fez o que pra mim é um dos lances mais significativos da música desta merda de lugar.
o detalhe é que estes caras passam batido dos registros "formais" da música do estado (apesar de ser os caras que mais registro fonográfico deixam) e a minha intenção é analisá-los no panorama não só do brega, mas da produção artistica local, discutindo identidade, identificação e o efeito que alguns pares de chifres, grades de cerveja e o tecladinho de churrascaria podem ter no proceso de surgimento de um estilo musical.
a defesa será na terça-feira, no CCH da ufma. às 18:30h. na sala de projeção 03, bloco 05, primeiro andar.
haverá (provavelmente) apresentação autêntica e um bregueiro autêntico e distribuição do exclusivo cd BREGA É TU! além de beberagem adequada.
informações, liguem no 8159-0200
quem quiser ler o tabalho, me manda um email que eu encaminho.
maranhão: tempo de brega de teclado
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Domingo, Maio 25
CURSO DE GIBI NA UFMA!
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Terça-feira, Maio 13
VÁ PRO CÉU, MENINA ISABELA*
* EM VIRTUDE DA QUANTIDADE DE APELOS EMOCIONADOS, CLAMORES DESESPERADOS E OFENSAS SEMI-ANALFABETAS, O TÍTULO ORIGINAL DESTE POST FOI MUDADO. ESTE BLOG DESEJA À MENINA ISABELA UMA BOA ESTADA NO CÉU, E QUE LÁ NÃO HAJA TV.
pela manhã, depois de fazer o café, quando sento na cama com a xicara na mão, a primeira coisa que penso é:
"vai tomar no cu, menina isabela"
mas aí lembro que ela já tomou e é por isso que fico vendo a carinha dela no jornal toda vez que tem que aparecer alguma coisa depois ou antes da vinheta do jornal.
se eu tivesse uma banda de pagode, faria uma canção da menina isabela pra ir cantar no gugu, teria frases como "o brasil se emocionou" e seria uma versão daquela que fizeram pros mamonas.
o que eu mais gostei da morte dos mamonas foi essa música, os caras foram certeiros, acho que fazer música em homenagem a presuntos é uma boa. quando o cy(i)d moreira morrer, alguém devia ir lá e fazer bolero, pra mirian leitão, um gring core.
menina isabela devia gravar seu próprio disco. meu plano era botar aqui a capa, com uma foto dela e o título "brincando de ser feliz", incluindo a canção "caindo pro estrelato", mas a karla olhou e não deixou, achou de mau gosto. hoje ela me falou: "só quem ouve essas tuas queixas sou eu" e resolvi escrever esse post.
o disco da menina isabela teria uma participação especial do menino joão hélio. gosto de imaginar menina isabela e menino joão hélio no céu bolinando o que tenha sobrado em suas cuequinhas. eles parecem exbbbs.
gosto também de pensar que mais famílias de classe média, mais pais com cara de dupla de música pop joguem mais menininhas da janela, que virasse um esporte, como o surf de trem e a travessia da ponte do são francisco, quanto mais alto, mais ponto vale, quanto mais longe, melhor, pode cair numa avenida. valoriza o imóvel, quem não vai querer morar no apartamento da menina isabela, receber visitas curiosas que passarão anos falando mal da peerícia e reimaginando o crime, dava um daqueles filmes orientais sobre rancor... do espírito da menina isabela que ficou na grade de proteção e joga todas as pessoas da janela... me dão quanto tempo pra ro0lar um filme da menina isabelça? vão arrumar um papel pra fernanda montenegro.
além do mais, o esporte abre um bom espaço no orçamento da família. convenhamos, menina isabela morta é uma mala, imagina viva!
tem um conto do rubem fonseca chamado AA. arremesso de anão. um fulano diz que o anão é bem tratado, tem seguro, tem anão que prefere trabalhar no AA que na disney.
a mãe da menina isabela foi na missa do padre marcelo e conheceu a ivete sangalo. ela chorou e padre morcelo disse calma. ivete disse "tira o pé do chão" e a mulher chorou mais.
às vezes parece uma hq do dick tracy. o promotor é estiloso e aquele monte de jornalistas na porta me faz sentir bem em ser um vagabundo, também me faz sentir mal com a idéia de que equeles caras tão ali 24h por dia só pra fazer uma coisa que me irrita. uma repórter da globo é até bonita. podia estar fazendo filme pornô e tá cobrindo menina isabela, a record entrevistou o carro da família da menina isabela.
domingo vou ver o gugu. vai aparecer uma menina, do acre, que diz ser menina isabela. o promotor vai dar entrevista. zibia gaspareto vai psicografar menina isabela que vai pedir a paz universal e recomendar o pequeno príncipe.
menina isabela virou aposto em discurso de senador. entrou ou entrará pra cosmogonia do mão santa ou pros argumentos chubacas do bigode... num país onde...
gosto de pensar no namoradinho de escola da menina isabela... hehehe
morre logo!
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Segunda-feira, Abril 28
Quinta-feira, Abril 24
contratempo
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Quarta-feira, Abril 9
Quarta-feira, Abril 2
seu cabral
seu cabral tem um amigo chamado josuel, que é garçon e segurança e chega lá antes do seu cabral, mas me diz que não trabalha ali não. ele usa um chapéu de cangaceiro e eu penso que se fosse ontem aquele lugar não seria verdade.
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bruno azevêdo
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Sexta-feira, Março 21
eu tenho um site que eu odeio!
ele fala. há uma apresentação de slides, mas o arquivo que eu baixo é só em áudio, alguém postou no orkut e achei a voz grave, arrastada e monotônica do mutarelli.
os slides não me fazem falta porque a minha familiaridade com a obra e com as imagens da obra inicial predominantemente imagética dele é enorme. li tudo. do primeiro zine ao último álbum.
lembro que um dia, na cara, apareci na casa dele. já o tinha entrevistado pro jornal e fiz uma visita "jornalistica" à editora.
liguei antes. cheguei na editora. onde ele mora?
eu já sabia: tal lugar.
a editora liga. fala com ele.
quer falar alguma coisa? pergunta pra mim e pergunta pra ele.
a gente diz não.
foi uma tarde estranha. um misto de tietagem e reconhecimento, de quebra de mito, que segundo ele "tá acima de mim". já existia o desenho do gabriel pro souza com o diomedes e eu mostrei. posso usar?
pode, ele ri.
já existia o cheiro do ralo e comento que o texto do arnaldo antunes na contracapa é um equívoco, ele fica reticente. há muitos bonecos espalhados pela casa e me sinto bem.
no fim da tarde fomos comprar minuaturas de star wars num fulano que consertava bonequinhos lá perto. tava fechado. tchau.
eu sumi, mas o cara continua aqui.
o arquivo é daqueles que baixa enquanto toca e fica aquela impressão desgraçada de que tudo aquilo que eu baixo pela obsessão de aquisição e nunca leio não pode acontecer com o mutarelli.
digo isso porque talvez eu só me sinta realmente bem para falar da obra dele e da do montello, independente de qualquer estudo, o que os caras falam me atinge e funciona com um aspecto de memória que eu não consigo explicar.
me lembra o joacy... foi ele que, nas tardes que eu, de olhos crescidos, passava na casa dele olhando gibis, me emprestou o transubstanciação e o dirty do sonic youth.
o mutarelli falou que queria fazer humor, mas que achava são ser inteligente demais pra isso.
tem tempo que não leio nada novo dele. ouvi que há um livro novo pra sair pela companhia das letras e me assustei (MUITO!) com o blog quando ele tava em nova iorque, não li, mas fiquei triste por descobrir o blog já encerrado e não poder acompanhar sua construção.
o livro com os desenhos do diomedes eu vou mandar pra ele, acho que já odeio esse livro... o joacy não vai ver e eu queria que ele lesse.
a karla me liga e eu tenho que descer em 10 minutos.
deixo o podcast pela metade, a voz fica ecoando.
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Quinta-feira, Março 13
ENTREVISTA COM BABAU DO PANDEIRO. pt 01
tá dando um trabalho do caralho transcrever essa entrevista. a fala de babau é difícil e as palavras no papel raramente conseguem ter o peso que ele atribi a elas. a entrevista virá em 4 ou 5 partes e nesta primeira conheceremos melhor a infância e a vida prémusical do grande gênio. com vocês: babau!
O puta - Vamos começar pelo começo: qual o seu nome
Bbau – Meu nome é Francisco Maximiano de Souza.
O puta – O Sr nasceu onde?
Babau – Nasci na cidade de Sobral.
O puta – Interior do Ceará...
Babau – É. Interior do Ceará.
O puta – Quando?
Babau – Nasci em 1945.
O puta – Qual a lembrança mais antiga que o Sr. tem?
Babau – Lembrança?
O puta – É.
Babau – Do tempo de jovem?
O puta – É.
Babau – Rapá, a lembrança que eu tenho do tempo de jovem era brincar cordão do... do cordão forte, pra ver quem quebrava o cordão... aquela brincadeira do... minha cordinha ta pôde, né e empurrava o cordão, se se quebrasse o cordão era pôde, né, brincava aquela brincadeira mesmo de menino, né, do tempo de jovem. A gente gostava também de jogar biba (suposto), né, de jogar peteca, aquelas peteca de palha de milho do interior, fazer aquelas peteca de palha de milho e aí jogava na palma da mão pra cima... peteca... peteca de palha de milho.
O puta – Peteca de palha de milho...
Babau – É.
O puta – O Sr. morou em Sobral até quantos anos?
Babau – Eu morei inté o tempo que minha mãe morreu, né. Eu nasci em 45, aí quando foi em 64 eu vim embora pra cá. Vim embora pra cá eu tinha um 13 anos pra 14 anos, vim caminhando pra 14 anos.
O puta – O Sr. veio pra cá sozinho?
Babau – Eu vim mais um conterrâneo meu, ele trabalhava aqui na beira mar aí por aqui ele me deixou e eu fiquei perambulando, té um dia eu me aprumar num canto.
O puta – Então o Sr. ficou com ele? Ou o Sr. veio e ficou sozinho?
Babau – Passei uns dias lá onde ele trabalhava no bar que eu dormia igualmente assim um desprezado, dormi debaixo dum galpão lá do bar, do restaurante e era em riba duns caixãozinho... era... (ri discretamente) o meu apogeu era esse, meu dormitório era esse, dormia em riba duns caixote.
O puta – E o Sr fazia o quê nessa época, trabalhava com o quê?
Babau – Quando eu vim pra cá eu era ingraxante de rua, fio ingraxante, ingraxante como esses broxete que anda assim no meio da rua com essas caixas de engraxar na mão... atrás de engraxar sapato.
O puta – O Sr tem uma música sobre isso, né?
Babau – Não. Gravei não.
O puta – Zeca Pibariba (citando a letra) conheci o Zeca do Pibariba, ele só sabia engraxar sapato, e o pai dele era marceneiro.
Babau – (interrompendo a cantoria) ... não é porque ele era meu amigo, né, era amigo de infância.
O puta – Zeca era seu amigo?
Babau - Ele trabalhava na mesma trabalho que eu trabalhava de engraxante e era meu amigo e o nome dele era Zeca do Pijariba mesmo. Era filho do Zeca.
O puta – Filho do Zeca do Pijariba, que era marceneiro?
Babau – Era.
O puta – Tem muita música do Sr. que é sobre a sua infância?
Babau – Algumas, né.
O puta – Quais?
Babau – Essa do Zeca do Pijariba e a música dumas duas prima minha chamada de Iná, quando eu era jovem e via muito elas dançando em festa, aí eu gravei uma música sobre elas duas, né, duas prima minha, era a Francisca e a Diná, né. A Francisca gostava de dançar e a Diná gostava de se rebolar, né (ri).
O puta – Gostava de se rebolar?
Babau – É. Rebolar. Aí eu gravei a música, homenageando elas duas.
O puta – O Sr chegou a trabalhar com agricultura em Sobral?
Babau – Não, era meu pai. Meu pai quando era vivo ele trabalhava.
O puta – Seu pai faleceu o Sr. tinha quantos anos?
Babau – Ele morreu agora pouco passado dos anos, ele morreu em 91, minha mãe morreu mais cedo, minha mãe morreu em 62.
O puta – O Sr. nasceu em 45 e seu pai só morreu em 91, mas o seu pai o Sr. não tinha contato com ele...
Babau – Tinha, sempre eu ia lá visitar ele, de ano em ano.
O puta – Em sobral?
Babau – É. Depois que ele morreu num fui mais, não. Eu fui no ano passado lá visitar o resto da família, mas num gosto de ir mais lá não, só se for à negócios.
O puta – Ta. E o Sr. veio pra cá pra Fortaleza, trabalhou como engraxate até quando?
Babau – Té em sessenta e oito. 68, eu cheguei aqui em 64. Aí depois arrumei uma mulherzinha comigo até hoje véve no meu poder (suposto), né, é mais velha do que eu. Até agora não desprezei, porque se eu desprezar então é ingratidão, né, é covardia que quando eu peguei ela, ela não era daquele jeito que ela tá agora. Ela não era velha era mulher madurona inda, né, me ajudou muito, né, trabalha pra me ajudar e hoje eu é que to trabalhando pra ajudar ela.
O puta – Mas então quando o Sr. trabalhava de engraxate o Sr. morava com esse seu conterrâneo...
Babau – Não, morava não.
O puta – O Sr. morava onde?
Babau – Morava aqui na beira da praia, no posto da draga aqui na praia.
O puta – O Sr. morou quantos anos na beira da praia?
Babau – Morei mais de 15 anos ali na beira da praia...
O puta – E depois o Sr. foi pra onde?
Babau – Depois que eu saí do poder deste camarada que me trouxe de Sobral eu fui pra beira da praia e lá me encontrei com um cego, aí eu fui ser guiador de cego, seu menino... passei mais de 20 anos guiando cego.
O puta – Então, na prática, o cego lhe sustentava e o Sr. cuidava do cego...
Babau – É.
O puta – Qual era o nome desse cego?
Babau – Tinha vários: Zé Vidal, Nadelino, Raimundo Luzia, né, mas o primeiro foi o Zé Vidal mesmo.
O puta – O Sr. ficou com o Zé Vidal quanto tempo?
Babau – Bucado de anos, que eu morava na casa dele, né, não tinha onde morar e eu vivia lá como se fosse gente da família.
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Quinta-feira, Março 6
O MATADOR DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
com a arma na cabeça do filhodaputa, entre o olho esquerdo e o nariz, pouco acima do bigode e com uma inclinação que deixava a mira machucando a pálpebra, falei:
_ tu tem um minuto pra me dissuadir...
bang!
auxílio prolíxo vicia.
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Quinta-feira, Fevereiro 21
BOTA A CABRA PRA BERRAR! |esboço para uma construção interpretativa da obra de babau do pandeiro|
Quando Benjamim empreendeu sua análise, o cinema ainda estava em seus primórdios, de forma que, como uma visão materialista, o ensaio “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica” soa, em alguns de seus pontos, no mínimo, um apelo romântico à degeneração de aspectos da arte que lhes eram caros.
Aparentemente, a aura que Benjamin não viu na relação de alienação e de obra coletiva do cinema (o que ele chama de alienação do ator vejo como a obra de um diretor, e por ai vai) lhe chega naturalmente no percurso histórico.
Vendo a aura como “única aparição de uma realidade longínqua por mais próxima que ela esteja”, que é o conceito mais sintético que Benjamin consegue nos dar, o cinema, como toda arte, adquire um certo “valor de culto”, à medida que passa a existir predominantemente na memória afetiva de uma fatia de seu público.
O valor de exibição inicial, por exemplo, de uma obra hollywoodiana pode ser transformado em valor de culto anos depois, seguindo a mesma lógica de supervaloração da obra de arte como produto desenvolvido, distribuído e consumido pela lógica da técnica.
De forma que é inegável a ritualização em torno de bens de consumo culturais na contemporaneidade, seja em seu consumo imediato, seja no seu reboot ou na forma como esta quebra de véu da obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica faz com que esta aparição única seja onipresente (e única), longínqua (e única), por mais codificada que ela esteja.
À parte querelas sobre a natureza da arte e seu valor, a obra do cantor, compositor e bicheiro Babau do Pandeiro, traz à pauta vários dos aspectos apontados por Benjamin em seu mundo de terror particular.
Babau do Pandeiro é cearense e sua obra integra uma geração que a técnica pôs à extinção: os cantores de feira. Repentistas, malandros, pequenos circenses que, à curiosidade (e pouca instrução) de seu público, serviam como cronistas, professores e elo identitário de um certo nicho. Sua obra fala em um dialeto particular e de um conteúdo particular, de forma que não escapasse à compreensão imediata de sua audiência.
O cantor de feira, como o cordelista, acaba por sedimentar várias projeções do coletivo, na sua opção por temas e formas de narrar.
A reprodutibilidade técnica (o disco) e, principalmente, as novas vias de distribuição, fizeram que sua função se esvaísse por várias frentes: As feiras não passam mais a ser um ponto de encontros ritualístico. A sua função como espaço público é aos poucos trocada pelo aspecto extremamente frio dos supermercados ou outras formas de comércio. O conhecimento féerico dá lugar a uma razão menos causuística e o mundo da parábola e da metáfora vão tendo seu significado reduzido. A confluência de outras músicas e a possibilidade de audição doméstica, tiram um de seus grandes trunfos: a performance. De forma que o cantor de feira tem que se adaptar ou, como diria o Benjamim: perde sua aura.
A reprodutibilidade técnica reduz o cantor de feira de uma parte essencial (ou ao menos funcional) destas sociedades para um apêndice cômico de sua existência ou um componente vivo de seu passado esquecido.
E ai aparece o Babau!
As condições de reprodução da música atual, ainda dominado pelas FMs e pela MTV, faz do cantor de feira um proscrito, como já dito. No entanto, essas mesmas condições, podem agir de forma reversa, fazendo com que nichos de produção e público convirjam.
Babau do Pandeiro é um fenômeno de internet. Sua voz, originalmente ritualizada em um público de nicho restrito ao pequeno espaço geográfico/performático da feira, agora se espalha (não expande, por assim dizer) em um largo espaço virtual/customizado da web, que possibilita, por exemplo, que eu esteja aqui escrevendo sobre ele.
02.
A obra de Babau do Pandeiro pode ser dividida em duas partes: O Babau rural e o Babau urbano.
Estilisticamente, as canções dividem-se em marchinhas (urbanas) e juninas (rurais), todas seguindo exatamente a mesma métrica e lógica harmônica. Musicalmente falando, Babau usa do artifício muito comum do teclado, que emula outros instrumentos. Algumas canções aparentam uma banda maior.
O Babau do Pandeiro rural, representado pelas músicas juninas, é um cantor saudoso e alegre. Canções como “bebe água galinha”, “bota a cabra pra berrar” e “vem meu São João” são frutos de memória da infância rural do compositor, que tem seus melhores anos associados à vida livre no campo. O Babau rural é senhor de seu ambiente, natural e social, como fica claro no verso:
“Bebe água, galinha
Bebe água, galinha
Enriba o bico pra cima que vocês tudo são minha.”
Ou mesmo em:
“Vem meu São João, me dê minha linda potreção
Acende a fogueira, me pego na ronqueira
Brincando a noite inteira e dando viva a São João.”
O mundo ameno, quieto e sem violência do Babau rural contrasta com as marchinhas do Babau urbano. Na cidade (ou na contemporaneidade) o pobre cantor de feira não passa de um vagabundo, de um pé rapado, estranho a seu meio, que vive de bicos e é capaz de se espantar com a mais simples representações do cotidiano.
“Eu quero tomar muita coca-cola neste carnaval
E vou dançar no Municipal.”
Fica claro pelos desejos de Babau a sua condição social. Há uma certa obsessão pelo “Municipal”, como algo inalcançável.
Ou mesmo:
“Você já não é mais aquela que saia do trabalho e esperava por mim
Mas numa vida barata, tem liquidação
Você é verdadeira comum e inda é número um, inda mata o cartão.
Você deixou seu amor de lado, que era o dono do apartamento e comigo ficou e comigo chorou”
A condição operaria ante o amor, como na letra acima, o cotidiano de avanços tecnológicos como em “Cadê Didi”, são marcas de um Babau do Pandeiro expropriado e tornado cronista de sua própria derrocada.
Considerando a figura do narrador, no ensaio homônimo de Walter Benjamim, temos em Babau a representação ideal daquilo que Benjamim encontra como em vias de extinção. “apresentar um Leskow como narrador não significa aproximá-lo de nós – significa antes, aumentar nossa distância em relação a ele.”, o mesmo se dá com qualquer tentativa de diálogo direto com Babau do Pandeiro.
Como arquétipos do narrador, temos na obra de Babau, tanto o “lavrador sedentário”quanto o “marinheiro mercante”, assim como a “orientação para o interesse prático” é visível no mundo absolutamente não metafórico da fala e do verso babauniano.’
O Babau urbano é uma espécie de Didi Mocó.
Eu queria jogar Resident Evil com Walter Benjamin.
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bruno azevêdo
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Quinta-feira, Fevereiro 14
DOIS FILMES
02. qualquer história que se conte sem naves espaciais e pistolas de raios, se conta melhor com elas.
Mas aí que fui ver dois filmes essa semana, Sweeney Todd e Cloverfield.
O primeiro não tem monstro, o segundo, sim.
Mas o primeiro já era uma merda antes deu ver o segundo.

Reino de fogo. Uns dragões aparecem em Londres e acabam com a civilização. O homem volta pras cavernas e fica por lá tentando detonar os dragões e restabelecer seu modo de vida.
Numa cena, vemos uma turma de crianças no que parece ser uma escola improvisada na caverna. Há uma peça sendo apresentada e dois atores mal trapilhos travam uma luta de espadas.
As crianças têm os olhos atentos à cena e, quando um dos espadachins vence, tendo o derrotado aos seus pés, diz:
— Eu sou seu pai!
Bingo! Naves espaciais e pistolas de raios.
Reino de fogo é uma bela bosta, mas mostrar a tentativa de reerguer uma civilização tendo como parâmetros míticos e arquetípicos elementos retirados da cultura pop contemporânea foi uma sacada genial!
Dizem que a relevância da obra de arte se dá pela sua capacidade de sobreviver ao tempo. Eu acho que essa capacidade só opera de fato com a inserção da obra de arte de alguma forma no cotidiano (e isso é uma via de mão dupla que caras superfodões como o George Lucas sabem usar).
Além disso, há o sobrevalor da obra de arte que está pra além dela, que o digam os caras que tavam guardando as obras roubadas do masp mês passado.
E aí me aparece o Tim Burton com o filme do barbeiro maluco da rua Fleet. Eu já andava desconfiado desde o melamão “Peixe grande” (um filmeco de redenção) e do insípido (porém engraçadinho) “A noiva cadáver”.
O elenco é o mesmo, o figurino é o mesmo, só que agora eles cantam.
Conheço pouco de musicais, mas acho que depois de “Cantando na chuva”, se deveria pensar duas vezes antes de fazê-los (exceções pro Trey Parker e Matt Stone). Geralmente são filmes chatos onde as pessoas se redimem... e cantam.
Mas vai que a grife do Tim Burton (como acabou virando a grife do Neil Gaiman) me diz que o tal Todd é um clássico personagem inglês que inspirou várias obras e investigações e há um debate historiográfico sobre sua possível existência por volta dos 1800.
Bem, foda-se Sweeney Todd e aquelas bandas de heavy metal melódico que fazem músicas sobre gnomos ladrões de morangos pra adolescentes do interior do Ceará!
O problema com essas ressignificações é quando ela me parecem não ter mais nenhum espaço de reverberação. O filme foi puta elogiado, mas pra mim parece um produto tecnicamente muito bom feito pra ganhar prêmio, mas sem tempero algum. Previsível e chato!
Faz um tempo que acho os treilers o melhor produto da indústria cinematográfica. Eu teria curtido o treiller do barbeiro maluco, mas o filme num deu não.
E me aparece um cara que, aparentemente, concorda comigo, e faz o Cloverfield. Em poucas palavras, é a “Bruxa de Blair” com monstro gigante. Cloverfield, na minha opinião, tem a mesma relevância pro cinema que o “Walking dead” tem pros quadrinhos (tem algo sobre o WD aqui no puta).
Hoje reina a lógica da superexposição. Como disse um fulano, há muito mais espaço para expor que coisa pra ser exposta, sendo que, pensando na arte, a “coisa” existe antes mesmo de existir e os produtos (artistas) são publicizados em seus processos de produção e amadurecimento.
Não existe mais fita demo.
Eu tenho um blog.

Daí que a idéia do monstro gigante fodendo uma cidade é comum no cinema, sei lá, desde os anos 40 com Godzila até os monstros da semana com Changemans da vida.
A questão do Cloverfield passa, na prática, bem longe do monstro, como disse o JJ Abrams, idealizador do filme: “Eu queria algo que fosse simplesmente insano e intenso".
Num texto do Benjamim, um dia desses, li um lance que dizia que “o homem hoje não trabalha mais naquilo que não pode ser abreviado”, de forma que “insano” e “intenso” como definição conceitual de um filme cabem perfeitamente prum filme que convém.
A feitura do filme propõe uma experiência de videogame, onde a naturalidade da primeira pessoa (particularmente com o verbo morrer) constrói uma realidade intensa, na qual viver é uma ilha de edição em tempo real.
Cloverfield reduz a consciência ao limite visual. A necessidade de filmar (expor) é maior que a de sobreviver, e a experiência do registro é mais intensa que a experiência do ato registrado, ou, como diziam os personagens, numa correria:
_ por que você não pára de filmar isso?
_ as pessoas têm que saber o que aconteceu.
_ mas você pode contar.
_ contar não basta.
Em outra pequena cena, vemos um personagem que chega numa festa. A câmera-personagem fecha nele, mas é inevitável acompanhar o que acontece por uma outra câmera dentro do foco, esta do celular de um dos convidados.
Quando o monstro ataca a cidade e todos saem às ruas, a quantidade de pessoas filmando ou fotografando é tão grande quanto de pessoas fugindo.

A própria natureza do desastre ressoa a lógica contemporânea do superexposto.
O amigo do Gabriel, quando explodiram as torres gêmeas, anunciou a “terceira guerra mundial”. Naturalmente, um monstro gigante em Nova Iorque hoje em dia é antes de tudo um ato terrorista.
O monstro gigante novaiorquino, neste caso, tá muito mais próximo do que me remete à segunda guerra (o ideário do heroísmo maniqueísta) do que à vilania incorpórea. Lembrando que, enquanto Manhatam se fode, o resto do mundo continua na mesma.
A narrativa é antes sensorial que de enredo. Quem vai ou fica pouco importa, de onde vem o monstro, também.
O barbeiro descobre que era tudo falso e se redime no final.
A galera do Cloverfield teve “um dia lindo!”
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Terça-feira, Fevereiro 12
o flanelinha cego. 01
No começo ele falou qualquer trocado, mas não deixou de reclamar quando meu qualquer trocado foi uma moeda de 5 centavos.
Acho que soube pelo peso, não sei se o relevo das moedas de cinco centavos consegue ser percebidos assim, no tato.
De forma que quase tudo que eu especulava sobre o flanelinha cego acabava virando bravata de bar.
Ele me guiava em uma baliza como se visse e me pedia que corrigisse a angulação dos pneus dianteiros com a precisão de um cirurgião.
O flanelinha cego tinha vários bolsos e guardava as moedinhas por valor.
Ele disse que não bastava mais ser cego e usava o verbo ver como se visse, metaforizando.
Se um carro habitual lhe aparecesse com outro motorista ele sabia na lata. Perguntava, tocava a pessoa e, sem mais poderes, liberava.
Havia um banco de apostas sobre as habilidades do flanelinha cego, que sabia a cor dos carros que vigiava.
Ganhei algum com isso e a aposta era fácil.
O flanelinha cego virou flanelinha depois de virar cego e não virou cego porque nasceu assim.
Ele dizia que ser só cego hoje não paga as contas e mostrava a foto, no celular, dos dois filhos.
O flanelinha cego pega cirgular 2, mas sempre pedia ajuda.
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bruno azevêdo
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4:57 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 8
BABAU PREVIEW
bem. tem um mes que nao escrevo aqui no puta. aconteceu coisa pra caralho, mas como nao tem nada impresso ainda, pra mim nao aconteceu caralho nenhum!
o fato e que hoje, depois de uma longa busca, finalmente achei o fantastico BABAU DO PANDEIRO, vendendo jogo do bicho numa esquina escrota na capital do ceara.
esta foto e um preview da entrevista que estara por aqui em alguns dias.
o laptop da minha irma nao tem acento.
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bruno azevêdo
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Domingo, Janeiro 6
MANIFESTO PITOMBA
01. porque a palavra, já que dita, não é palavra, antes de ouvida.
02. porque se há de ser dito, e se convém que se ouça, que seja dito com cacofatos e microfonias, pra que, assim, quem ouça também diga.
03. porque haja uma leva de gente, por fatalidade geográfica, no mesmo tempo e à mesma inação.
04. porque a informação não se pertence e a posse de ter é a posse de dar e é essa posse que reivindicamos.
05. porque a palavra há de existir para além de quem a diga, mas não para além dela, porque a palavra está para além de nada.
06. porque pra além do caroço, que é quase tudo, existe a casca, que se quebra, e existe a polpa, que se quer.
pitomba!
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bruno azevêdo
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6:22 PM
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Sábado, Dezembro 15
Ê BOI. RAPAZIADA!!
algo me diz que no começo do ano vai rolar um puta escãndalo.
mais ou menos quando uma sindicância nos correios detectar que os remetentes daquelas inocentes cartinha pro bom velhinho vem mais ou menos do mesmo lugar, mais ou menos das mesmas pessoas e mais ou menos no memo padrão de escrita.
vão fuder com o esquema das cartinhas de papai noel. vão prender todomundo num primeiro momento, soltar num segundo e esquecer no terceiro.
minha suposição vem de um postulado recente: no brasil, o segundo passo para qualquer coisa a ser institucionalizada é a corrupção.
é como praia turística que começa com hippie e mochileiro e acaba com resort de senador, gente faminta e puta de 13 anos.
vai pra jeri agora e pros lençóis em algum tempo.
pois a quadrilha dos fraudadores da boa e velha missiva pro velho e bom papai noel deve estar em atividade agora mesmo, enquanto escrevo esse post. eles contratam crianças pra escrever as cartas, criam dramas padrões nos quais todos caímos e se dão bem pra caralho!
mas, foda-se. eu não escrevo nem respondo cartinha de papai noel. quando vejo as criancinhs no jornal falando das cartinhas eu me divirto, sabe, por admiração.
que é mais ou menos a mesma admiração cínica que tive quinta feira, no prêmio universidade.
eu saí na metade, vá lá, mas vi o que pude.
e vem o lance da instituiçionalização.
o prêmio se propõe a valorizar a música maranhense. beleza. supimpa. batuta!
teoricamente haveria um clima de confraternização, mútuo reconhecimento e disputa. afinal, ali está a bolinha da bic que escreveu o capital.
acontece que essa relevância pra além não existe e o prêmio acaba não cumprinco a função de referendar seus indicados ao mercado e, principalmente, ao público.
e nessa ai eu meto toda a merda oficial em relação à arte. atualmente tão rolando aqui pelo menos dois concursos relacionados a produção artística: um com artigos sobre o montello e outro que vai da poesia à música.
tô participando dos dois.
ainda tem o da fumc, que rola quando em vez e eu também sempre participo. dá uma grana batuta, dei entrada numa casa com o último prêmio, pra vocês verem.
o que esses eventos tem em comum e porque eles viram um poço de merda é bem simples:
01. são funcionários públicos organizando.
02. funcionários públicos não realizam trabalhos, cumprem expedientes.
03. dar prêmio é exercer autoridade, mas essas lições ees não aprenderam.
e quando os prêmios perdem esse poder de legitimação, viram a caixinha de fim de ano.
todo ano eu pego todos os livros do concurso da fumc de graça. levo, desde 98, a mesma cartinha, na qual digo que sou pesquisador e interessado na produção do estado, blábláblá.
a maioria eu jogo fora.
porque geralmente são umas bombas mesmo, já peguei um livro que ganhou o prêmio de "pesquisa e erudição" no qual o fulano passa umas 200 páginas dizendo que o brasil tem uma dívida histórica com os escravos. no fim ele dá o número da conta dele.
o problema aí é que se deram o prêmio pruma merda dessas significa:
01. a comissão num valia um cibazol (ao que sei não se tem especialistas pra julgar. a mesma galera julga romance e pintura, por exemplo, mas n tenho certeza)
02. esse fulano era amigo de alguém lá dentro.
03. nesse ano ninguém fez algo melhor que aquilo (o que duvido muito)
04. os autores não vêem nesses concursos uma forma legítima de escoar seus trabalhos.
os dois mais recentes tiveram as inscrições adiadas por falta de candidatos. o do montello, no último dia, só tinham 3 inscritos. porra, 03 caras!
ai os FPs decidem postergar pra atrair mais público.
no CCH da ufma não tinha um cartaz sobre o concurso.
no site não tava atualizado.
super fodam-se! eu entreguei esta merda na data. se vocês não fazem o trabalho de vocês direito, vão tomar no cu e me passem a minha parte em dinheiro!
não que eu fique feliz que só tenham 3 artigos no concurso do montello, mas eu não engulo ser punido por incompetência e FP nenhum e isso rola direto!
a mesma pro da secma (é assim?). a propaganda na porra da brochura diz que "letra é lei" e tem que fazer a merda do concurso todo ano.
autoritarismo burocrático de merda que trabalha na lógica do cafezinho, do paleativo e do tapinha nas costas.
propagandear um concurso por seu aspecto legal é invalidar qualquer relevãncia prática que ele tenha.
e já vejo 700 cópias de uns tantos livros apodrecendo nos porões da secretaria de cultura. afinal, a lei determina que se faça o concurso, não que se distribua os livros.
além do show de horror de livros mal impressos e que viram fascículos.
espero que possam me contradizer nessa, tõ dando a cara pá tapa, façam o favor.
esse ai adiaram a entrega do material e a premiação, que só deve rolar mesmo no próximo comício.
...
escolher os melhores de qualquer coisa é um exercício de autoridade e um retrato de si mesmo.
no prêmio universidade tem uma categoria que me remete à esquina da rua do egito com a dos afogados: artista da noite.
eu sei que é chover no molhado, mas os caras que levam gente pra noite mesmo aqui são os seresteiros do kabão.
o prêmio esse ano cagou no próprio pau com o tema. algo tipo "a música do nordeste", com um show baseado em luis gonzaga, jackson do pandeiro e outros tantos.
a merda começa quando, convenhamos, a gente NÃO FAZ parte do nordeste referendado por esses caras (inda mais aqui na capital) e que os compositores dessa leva nada mais eram que os cantores do kabão do tempo deles, hoje alçados à MPB.
daí que meu problema com o prêmio não é que o prêmio exista, mas é que o prêmio exista sem nenhuma relevância. não desperta uma apreciação crítica sobre a obra dos caras envolvidos, não descortina mais uma cena ou tendência e fica a cada ano mais mirrado, pouco criativo e com cara de festa de cumade.
além do velho papo de "niguém valoriza o artista da terra" ou o "a gente tem que aprender a ouvir menos música de fora".
o que quero dizer é que a literatura maranhense, por exemplo, é muito mais inteligente que literatura que a fumc imprime todo ano e que isso não é culpa dos autores.
assim como a música maranhense pode ser melhor que as premiadas pela universidade todo ano e isso a galera que a faz tem um pouquinho mais de participação.
esses prêmios deviam aprender algo com o marafolia.
eu devia aprender que não se mete o pau em concursos cujos resultados ainda não sairam...
maranhão: tempo de novas idéias!
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Quarta-feira, Dezembro 5
prova de história:
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Sábado, Novembro 24
O FIM DO CAPITAL!

nas linhas pequenas lê-se:
"solicitamos a presença de todos para que seja discutida a nova situação."
daí que eu fiquei o resto da tarde perambulando pelos corredores pra ver o resultado do meu ato terrorista.
a completa ausência de senso crítico é fatal!
passante - porra. onde é que vai rolar isso?
bruno - no bloco 02, lá em cima.
passante - massa. vou lá!
ou:
gorda - vai rolar isso mesmo?
bruno - vai.
gorda - vai ser uma palestra, mesa redonda? mini-curso? quem vai falar?
nesse momento meu espírito cristão baixa eu eu digo:
bruno - olha, num vai rolar nada não, tá. só não conta pra ninguém....
gorda - então pra quê esse cartaz ai?
bruno - é uma piada.
gorda - ah, então vai rolar uma performance lá?
bruno - não. a piada é aqui mesmo.
quando em vez ouvia um murmúrio ou outro, um comentario de quarta via sobre o fim do capitalismo naquela tarde.
será parte do evento?
será mesmo?
eu mesmo não fui, mas rolou uma galera por lá, disseram.
mantive o cartaz e, ontém, ainda escrevi à mão a tentadora frase "daremos certificados"
sei não, mas pra mim é um puta reflexo. eu, por exemplo, participo dessas algazarras agora que voltei pra ufma, mas acho que a coisa anda braba.
me inscrevi na porra de um minicurso chamado "o negro na literatura maranhense" que acabou virando um espetáculo de incompetência, discurso desorganizado, sem propósito e propaganda ativista mezzo negra, mezzo anamariabraga.
15 horas e nada de literatura, nada de maranhão.
15 horas com umas 15 fêmeas da letras.
15 horas de um show de merda que fez meu preconceito com a letras subir. Cacete!
aquela mulher até deve saber alguma coisa, mas acho que fez comigo o que eu fiz com o resto do prédio colando os cartazes.
aí que num estado cheio de negros, numa cidade cheia de negros e numa universidade não tão cheia assim, me aparece uma profesora negra pra dar um curso sobre visões acerca do negro e gasta 15 horas do meu precioso tempo falando como foi o doutorado dela em portugal, o curso da frança e de como ela conhece o mundo inteiro e que do mundo inteiro o único lugar que não é civilizado é o maranhão que, coincidentemente, é cheio de negros.
ai eu acho que ou ela tá tirando uma onda comigo ou que eu deveria apresentá-la pruns caras do movimento negro radical.
o maior problema desses lances é que eles põe cor nas pessoas que pra mim não tem cor nenhuma (ao menos acho assim). bem, é um lance foda!
no fim ela diz que "adora colocar obras locais no vestibular, pra dificultar a entrada de gente de fora na ufma"
pergunto se ela acha isso certo. digo que melhor seria nossas escolas de merda ensinarem pra nossa gente de merda que a merda que a gente faz também é pra cheirar. e, no im das contas, pensamentos como o dela podem nos excluir de milhares de mestrados, doutorados e concursos no "mundo exterior"
"tô aqui pra falar de negro!", ela me corta brutalmente.
pego meu certificado.
ainda na "semana humanística"
o comportamento das pessoas nas "comunicações orais" (próximo encontro prometo inscrever uma comunicação oral sobre BOQUETE!) é um reflexo vergonhoso da sala de aula. o último tá fadado a apresentar o trabalho dele pro vento.
eu apresentei uma comunicção sobre o babal. o babal e o walter benjamin. foi gozado. me diverti pacas. bota a cabra pra berrar!
isso merece um texto depois. babau e W.B., tudo à ver!
é isso. fico aqui pensando nas próximas convocações terroristas no meio acadêmico.
sei que esse texto tá mais torto que o habitual.
FORA FHC!
maranhão: tempo de bombas de murrão em latas de leite!
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bruno azevêdo
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Sexta-feira, Novembro 23
Número 42, esboço de uma análise do Akira
01.
Akira, de Katsuhiro Otomo foi um grande marco na relação da indústria cultural ocidente/oriente. Há muito tempo os desenhos animados japoneses eram veiculados no ocidente, em sua maioria obras de ficção “infantil” ou versões (originais) de sucessos ocidentais. As obras de grande vulto de Ozamu Tezuka aparentemente deram um pontapé mercadológico e ajudaram a criar o que seria um modo de fazer e consumir dos mangás. Já quadrinhos como “Lobo Solitário” e “Macross” atingiram um publico mais “especializado”, que futuramente produziria seus trabalhos no ocidente com a memória dos quadrinhos orientais, dando uma abertura para o que se vê hoje, onde o ocidente não só consome os mangas/animes orientais como já se apropriou de vários de seus mecanismos em suas próprias criações.
Akira, que alcançou grande vulto em anime no começo dos anos 90, é tido por muitos como o ponto alto desta estética e marco maior de sua “invasão”. A qualidade do anime em todos os seus aspectos pareceu sufocar o fato, antes mais importante, de que era um desenho animado japonês. Akira conseguiu ser visto como filme, como obra audiovisual capaz de construir um discurso e, mais que tudo, de tornar-se referência.
Claro que esta opinião vem muito mais da minha memória afetiva. Para mim o filme teve uma enorme função de passagem, como tiveram obras (como “Os 12 trabalho da Mônica” e “A história sem fim”) de valor “menor” para a maioria do público produtor/leitor.
Isso aliado ao fato de que a cobertura midiática, tanto in loco quanto à ressonância, apontam presse marco.
O Akira é fodão! Isso não se nega.
02.
Para os próximos pensamentos, é importante dizer que vejo a obra anime e a obra mangá como uma só. Em serviço de uma idéia (que é do que vou falar) foi construída uma história em dois meios, sendo que as peculiaridades técnicas e (principalmente) de metragem dos dois serviram para ressaltar alguns aspectos, tornar outros mais sintéticos (ou didáticos) e excluir/acrescentar terceiros.
O quadrinho foi publicado entre 1982 e 1990 e é um grande romance de 2182 páginas, inicialmente em capítulos curtos da revista Young Magazine, como são geralmente os mangás. Foi compilada em seis livros na edição mais corrente e em 5 livros + uma puta zona de merda na edição brasileira. Reza a lenda que essa edição brasileira só existiu porque um leitor processou a editora alegando “produto incompleto”. Se alguém tiver informações melhores, me diga!
A produção do mangá parou por um ano para que o anime fosse realizado, ou seja, as obras tem seu tempo de execução misturados, o que reforça a minha pequena teoria.
03.
Akira parte da idéia de que só é possível uma revolução através da destruição total do objeto a ser revolucionado. Como Marx “elogiava” o colonialismo inglês na Índia por ser o curso natural de modos de produção até o comunismo, Otomo mostra que a mudança radical só pode ser executada sobre os escombros da velha forma.
04
Akira propõe uma sociedade na qual o valor de uso esteja acima do valor de troca. Na medida que o esforço da reconstrução/adaptação de um novo mundo, considerando os personagens envolvidos, estará acima da produção puramente privada, por uma questão básica de sobrevivência. A geração de excedentes também será afetada, já que esta “produção” inicial se dará pela lógica bárbara do saque.
05.
Neo Tókio é o fruto de uma reconstrução falida, gerada da idéia de destruição em nome da autopreservação que é a guerra.
A cidade é completamente degenerada.
Nezu, o velho político revolucionário (fora FHC!) deixa isso claro na cena do anime em que anda com Riu pelas ruas.
A escola é degenerada, meramente funcionalista.
O alunado é delinqüente, o exército opera numa esfera acima da população e acima mesmo do estado!
A religião tangencia a revolução no mangá, mas passa como seita apocalíptica no anime.
Neo Tókio desiludiu-se no próprio parto.
06.
Ao passo que a intenção oficial da ciência (sempre à serviço de um senso crítico alheio) é despertar o novo estágio da evolução humana (e isso é bem mais claro no livro), essa evolução se apresenta pela ampliação da capacidade e destruir.
Neste prisma, a bomba em Hiroshima e os aviões nas torres estão enfileirados nesta evolução (como disse fodonamente o Gabriel), com uma mão no ombro e outra na bunda do evento fodido logo à frente.
Da capacidade da destruição máxima com o mínimo de recursos à possibilidade de “desargumentação” pela iminência incorpórea da destruição, temos uma filinha e catapultas, baladeiras e cabeças esmagadas com pedras.
Só o Akira pode botar o pau pra fora e não mijar em ninguém.
Não que seja a intenção clara, mas é parte inalienável desta evolução, só sendo reprimida através do consumo de drogas, que agem na máquina destruidora inibindo a própria capacidade de destruir/revolucionar.
A evolução proposta em Akira mostra um mundo onde o indivíduo faz-se destrutivo pela sua própria singularidade. Não há um estado, religião ou prática social em nome da qual legitimar as atitudes.
07.
“Todos possuem o poder do Akira”, diz Kiyoko no anime.
“Você duvidaria da capacidade do espírito humano de escolher o caminho que nosso desenvolvimento irá seguir?”, diz no mangá.
Kaneda manda a ONU pra putaquipariu!
Eu acho massa!
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bruno azevêdo
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5:16 PM
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Sábado, Novembro 10
CAPA DO BABAU
pra quem tava se mordendo pela inoficialidade dos discos de babau do pandeiro, apresentamos as exclusivas THE VERY FUCKING BEST OF BABAU DO PANDEIRO, com seleção de canções por tema e nas capaz amarela (marchinhas), vermelho (juninas) e verde (inclassificáveis).
baixe e faça você mesmo!!
ah. a foto peguei num site chamado "homem com aga", google nele que tem uma entrevista enorme com p babau.
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bruno azevêdo
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6:58 PM
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Sexta-feira, Novembro 2
Quarta-feira, Outubro 31
o blog queimou meu filme
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bruno azevêdo
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Segunda-feira, Outubro 29
Domingo, Outubro 28
o anão do caralho grande
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bruno azevêdo
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Sábado, Outubro 13
notas de um show imaginário
quinta eu fiquei quase feliz.
a intenção era encher a lata de cerveja, mas aí a cerveja acabou na metade da noite.
o goró era certo.
à esquerda do palco, perto da porta do banheiro, tinha uma barraquinha azul, dessas de praia que só não tava na litorãnea porque a prefeitura proibiu assaltantes residentes no marafolia.
proibiram pexêra também. esse ano só pode “xúxo”.
era nessa barraquinha que júnior ânsia tava devolvendo a grana de todos os ingressos pra todos os shows da nação zumbi (e outros) que não rolaram por aqui e ele disse que ia rolar
daí nada melhor que, assim, num passe de mágica, eu tinha na mão uma grana bacana só pelo meu perfil “descolado”, que garantiu pro cara a minha presença nos eventos fantasmagóricos que ele faz.
o lance é que a gente só conseguiu conjurar a nação mesmo lá pelas duas da manhã, conversei com um povo pelas quatro e alguns juraram de pé junto que viram a nego kaapor no palco, outros até viram chico science!
eu vi. ele e o lúcio maia chegaram tarde porque tavam na casa de nagô baixando o resto da banda.
o show foi do caralho. puta show! tinha um pessoal que errou do helloween (aos não ilhados: um evento evangélico no bacanga, ao lado do kabão, que por sua vez é um inferninho) e viu jesus cristo, bispo macedo, aline barros e joão paulo ii, que veio de jangada do papódromo porque o aterro ainda não tinha sido construído.
fog! o cânhamo na chaminé do ceprama fez sentido literal. um maluco me disse que ele mesmo tinha pichado, naquela manhã mesmo, antes da passagem de som. disse que subiu lá num balão.
eu vi uns cartazes. vi, num vi?
alguém mais que eu viu?
eu vi e fiquei naquela.
alguém me disse, acho que lá mesmo, que era a ópera que tava por trás de tudo.
shíííít! lembrei do paulinho moska pedindo água, pedindo ventilador, pedindo guardanapo.
sei não. é estranho o dennydevito vestido de pingüim-vestido de fofão promovendo show.

a quarta música. qual foi?
dou uma cana do batista se acharem 10 pessoas que acertem na lata. podem tentar com as... quantas mesmo? que tavam lá.
tu mesmo tava em uns três lugares diferentes.
sonzera! sonzera como na porta na catedral da fé! se você não creu, pastou. eu tive fé e vi tudo que quis.
tem gente que crê em deus, no pt, na revolução proletária e até que a batata do bobs não é pus cozido empanado.
eu creio no show da nação zumbi!
vai dizer que você não acredita que o sarney morre em 2008?! eu creio.
se toda a galera no ceprama quinta botasse fé, rolava. rolava como um vudu.
o velho tem corpo fechado, mas rolava.
nem todos os macumbeiros do estado vencem a classe média descolada fazendo papel de palhaço pela terceira vez!
ano que vem vou virar promoter.
a morte de sarney! no convento.
patrocínio: vale do roi doce, cachorroquente do souza e pstu!maranhão: tempo de novas idéias e fé braba!
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bruno azevêdo
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Terça-feira, Outubro 9
duas confissões
eu tenho duas vontades.
uma é de conhecer alguém que perdeu um documento pelo documento exposto em alguma vidraça de balcão de loteria.
enquanto tô na fila, no caracol interminável, eu olho todas as vidraças.
uma por uma.
rgs, cpfs, cartões de banco, crédito, plano dentário, estudante. olho tudo. se não tem foto, chego mais perto, de coração apertado.
chegar no balcão e dizer: ei, eu conheço esse cara, deixa que eu levo pra ele!
talvez seja porque, ali, sozinho, na fila, eu entenda bem pelo que passa essa gente que perde de documento.
fico sentimental. fazê o quê?
a outra é muito íntima. tem a ver com aquele lance do gullar de o 1,70 que eu sou no mundo. algo espectral.
não é bem pornografia, mas bem que podia.
eu queria que os livros fossem, assim... do mesmo tamanho. ou pelo menos com dois tamanhos sempre... é que... de vem em quando dá vontade de jogar fora o livro que não cabe na estante, não fica bonito.
o livro em si é um objeto.
mas é um objeto que se relaciona com os outros, tem que estar inserido numa teia relacional pra existir, assim plenamente.
o que não tem muito a ver com ser lido.
antes de existir com as pessoas ele existe com outros livros.
ai que se você for uma bizarria anatômica sua vida vai ser menor, ou você estará fadado à mesa de centro de algum cocainómano.
tem uma frase do caetano de que eu gosto:
“os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil que voltamos aos maços de cigarro.”
é mais ou menos por isso. eu mesmo só publicarei livros num formato. todos. no fim, se eu conseguir publicar uns tantos, será mais difícil de se livrar deles.
já ouço:
“num joga esses fora não que eles encaixam bem ali na porta!”
vai saber!?
tem uma do chuck palaniuk, sobre esse lance de livro:
pergunta – o que você aconselha prum jovem escritor.
chuck – tirar suas fotos de orelha enquanto são jovens.
quem grava disco não tem esse problema. até que tem, mas o problema é restrito a somente duas opções. cdzinho ou cdzão.
aquele preacher da devir, por exemplo, é imperdoável!!! não cabe, não fica bem! várias coisas da devir eu nem li por isso.
“isso não é bom. é intanguido!”
por ai. de forma que eu sou completamente contra o formato magazine ou mesmo o formato americano.
gibi tem que ser grande!
pra ter uma idéia de quão grande eu falo, escreva “pau no teu cu”” no word em arialblack, 1000.
eu tenho vontade de jogar fora meu “balada de halo jones”.
é tanto livro que eu cortaria...
tanta coisa...
mas é melhor nem pensar nisso.
enerva.
é horrivel saber que seu pau era proporcionalmente maior quando você era criança.
dá aquela sensação de tentar usar a força pra trazer a manteiga no café quando você tá tomando café sozinho.
no fim eu em contentaria com um documento devolvido.
[a foto é do joel peter witikin]
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bruno azevêdo
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Sexta-feira, Setembro 28
Domingo, Setembro 23
Quarta-feira, Setembro 12
zombie apocalypse: maranhão
faz uma cara que não escevo nada consistente aqui. ultimamente a única coisa prática que me vem com letras são as aventuras do matador de funcionários públicos. vai, eu gosto MUITO dele.
cena: eu escrevendo o matador. karla olhando por cima do meu ombro o post mínimo com balas e ofensas.
karla - esse teu matador aí não faz muito sucesso não, né?"
bruno- é.
e penso logo na próxima.
nessas últimas semanas acabei por ter um bocado de idéias pra histórias. como sei que não vou executar a maioria (o sertanejo blues, uma porra de 80 páginas, tá demorando mais de 02 anos preu terminar) , vou colocar umas na roda.
zombie apocalypse. isso naõ é bem um título, mas a definição de uma situação e de um conceito.
pensem nos filmes do romero. pronto! andei lendo uma série de hqs chamada "walking dead", que no início era só aquele lance de "se tem zumbi, eu compro". vai, vem, vai, vem e começo a sacar o lance do cara: os mortos tão aí, faz um tempão, isso não vai passar, ninguém vem resgatar a gente. e agora?
o único filme de zumbi que toca neste aspecto é o terra dos mortos, do próprio romero, que começa com uma sociedade construída com base no zombie apocalipse. essa sociedade é um reflexo bem escroto da nossa própria e o diretor consegue foder com tudo com aqueles "zumbis inteligentes". morra, romero!
soube que ele já tá fazendo um filme novo...
é um clima bem semelhante àquele de galactica. tá todomundo fudido, mas eu vou me fuder melhor que você. aí que o walking dead expande a coisa: com o esfacelamento da sociedade que a gente conhecia, vamo ter que construir uma nova, tentando emular a que se tinha (ou não, dependendo da célula. entenda célula como grupo de pessoas sem contato com outros grupos), com o elemento adicional dos zumbis.
daí que a primeira lei desta nova sociedade, na célula vista pelo walking dead é "você mata, você morre".
porra, é uma sociedade que já se define pela morte. a primeira atitude consciente desta sociedade (que se pressupõe democrática) é legislar sobre o fato ou o direito de tirar uma vida.
a relação com a morte seria a pedra fundamental deste mundo. afinal, mesmo quem morre sem ter contato com os zumbis, acabam voltando como tal e o elemento de ligação entre as pessoas é mais o fato de os mortos andarem do que todos fazerem parte do mesmo país anteriormente.
numa edição, uma moça solteira propõe a outra casada que se case com ela... corrigindo, que permita que ela se junte a seu casamento, com marido, filho e tudo.
se a gente pensar que não há esperança de encontrar novos núcleos de sobreviventes com machos viris e disponíveis, a tendência é essa mesma, um novo conceito de família, que nesse caso foi barrado com o argumento de "o que nossos filhos vão pensar?".
mas indo além do walking dead, e ai vem a minha idéia de fato: pensar um algo como "zombie apocalypse around the world".
a única história de zumbi nos "moldes" do romero fora dos estados unidos é a "28days...", que se passa na europa. lá a diferença é que os mortos vivoz tem uma explicação e uma solução rápida. o que não serve pra minha idéia de expansão.
pensando que os mortos despertaram simultaneamente no mundo inteito, cada local deve ter tido uma forma de lutar contra isso. com o corte das comunicações e a redução da população do mundo, antes agrupada em cidades, à pequenas comunidades rurais ou em locais ermos (você ficaria num lugar com 10 milhões de zumbis ou correria pro mato?), à médio prazo, o mundo voltaria a ser menor! não se teria mais a consciência global que se tem hoje e o resto do mundo voltaria a ser uma icógnita.
uma representação de espaço e tempo mais próximo do "medieval".
no entanto, a iminencia da morte a cosnciência do passado manteriam a velocidade de hoje, o que faria com que um monte de urbanóides (como eu) morressem de banzo. voltaríamos a escolher nossos líderes antes por suas aptidões físicas e capacidade de manter o grupo coeso e vivo!
depois de um tempo, o encontro de pessoas antes do mesmo país, seria um choque de culturas terrível e provavelmente violento. a melhor estratégia de sobrevivência seria o isolamento, as células passariam a pilhar umas às outras e os resquícios de tecnologia mais sofisticadas iriam se extinguir em grandes partes delas pela mera ausência de significado para as tomadas.
as projeções são superinstigantes. algumas sociedades poderiam ver o fenômeno como religioso ou mesmo lê-lo como interpretação de suas próprias cvrenças apocalípticas.
daí eu pendo em escrever esse fenômeno em são luís e as projeções ficam mais instigante ainda:
01. é uma porra de uma ilha!
02. é uma porra de uma ilha!
03. num fenomeno global, as ilhas viram mais ilhas.
ou seja: ou continua ilha ou vai pro saco! destruiriam a ponte do estreito dos mosquitos, como única forma de garantir a segurança.
quantas células se formariam aqui? 100? 1000? nenhuma? rolou um lance parecido com a guerra dos mundos. no brasil saiu um texto bem legal na dragão brasil (aliás, esses caras do RPG são tem mais atitude que os reclamões dos gibis), com machado de assis correndo dos trypods marcianos.
a intenção do robert kirkman, autor do walking dead, é compor uma obra o mais genérica possível, que enfoque nas reações do ser humano e não em algum lugar específico.
vai nessa, bob!
o protagonista dele é um típico policial do interior, um chips. daí aparece a mocinha, o jovem esperto, o negro braço direito e tudo mais. o que o fulano não sacou é que a reação a qualquer merda é fruto do ambiente social. é nisso que se sustenta a minha idéia.
mais que situação, que não tem absolutamente nada e novo, o importante é captar o que pode ser específico pelo cenário e pelas pessoas envolvidas.
os filmes do próprio romero limitaram-se a variações de locação (casa, bunker, shopping e prédio), mas os personagens em si poderiam ser os mesmos.
ah aá também o fator monstro: o zumbi é nada mais um humano sem humanidade. ao contrário de outras metaforas, que exaltam uma característica do humano (a brutalidade no lobisomen, a luxuria no vampiro ou mesmo a cobiça nos dragões) o zumbi se caracteriza pela ausência de qualquer resquício social.
ah. numa das primeiras cenas, vão matar o cafeteira por engano pensando que ele é um zumbi.
maranhão: arghhhhhh
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bruno azevêdo
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Sexta-feira, Setembro 7
vou ficar assim!
esses dias terminei o sertanejo blues.
recheei o livro com propagandas que vinham nos Texs das antigas.
taí uma.
a vida era mais fácil naquela época.
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bruno azevêdo
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2:46 PM
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Segunda-feira, Setembro 3
O MATADOR DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
depois perguntam porque detesto essa gente. eu pergunto pra mulher quem mandou colar.
ela disse que foi ela mesma, que o caixa era dela e que ela colava o que quisesse.
a coluna ali também é sua?
não.
então quem colou lá.
o segurança.
ah, tá.
digito a senha.
mas o segunrança é terceirizado, né?
é.
ela me dá um papelzinho, daqueles de crente que servem pra marcar livros e salvar suicidas.
atrás tem escrito, "zefa" e um número.
zefa. eu pergunto se aquilo ali é verdade mesmo, se existe essa lei.
existe.
mas, peraí, o fato de ter uma lei que não deixe a gente xingar vocês já não mostra que vocês MERECEM ser xingados?
me liga tá, ela diz.
depois berra um PRÓXIMO. outro. impesoal.
eu fico queto porque me dá medo.
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Quarta-feira, Agosto 29
sábado na tv
Eu nunca vi o keny G tocando
Curas naturais que eles não quem que você saiba
Tudo à nossa volta vem da natureza.
Eu não posso ver viado sem mandar dançar a dança da minhoca.
A namorada do estuprador depõe a favor dele.
Beleza e qualidade na sua intimidade.
fantim e gianechini, em flashback, são muito lindos...
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bruno azevêdo
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Segunda-feira, Agosto 13
Sábado, Agosto 11
intelectuais maranhenses - Karl Marx
Nascido em Carutapera no início do século XIX, José de Ribamar Karl Marx mudou-se logo cedo para pra Prússia com a família.
Seu pai queria que o filho tivesse uma vida melhor no velho mundo, e que pudesse educar-se e seguir a tradição da família como bancário.
No início, a família Marx abriu em Trier uma filial (a primeira) do banco Carutaperense. As bases do banco consistiam em investir dinheiro alemão nas plantações de piquis carutaperenses.
O jovem Ribamar logo notou que a relação trabalho/dividendos dos plantadores de piquis carutaperenses não era justa e que a cada centavo aplicado em piquis, um pequeno carutaperense deixava de freqüentar a escola.
O banco veio à bancarrota quando descobriram que não havia um pezinho de pequi em Carutapera e que todos os negócios do banco se baseavam em capital especulativo. Não seria possível sacar pequis porque os pequis nunca existiram de fato.
O que não impediu que a família ficasse extremamente rica e fugisse. O jovem Marx foi enviado para a universidade e a família mudou seus nomes, vivendo no confortável refúgio do passado esquecido.
O resto a gente sabe.
maranhão: tempo de novas idéias!
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Quinta-feira, Agosto 9
do infeno e a historiografia do estripador
olha só. amanhã vou apresentar uma pequena fala no II fórum de história da ufma.
como o encontro é sobre historiografia e eu conheço porra nenhuma disso, resolvi falar de "do inferno", que pra mim sempre foi um trabalho de historiador e, principalmente, um "mapeamento" historiográfico.
me sinto bem em saber que, mesmo se entendesse de historiografia e historiadores como entendem meus colegas, falaria do do inferno assim mesmo.
mas bem, trata-se de uma enorme revirada de tripas. nos últimos dois dias ouvi e participei de discussões as mais loucas sobre os rumos da história, a pós modernidade e coisas do tipo.
daí quer fui ver o programa do encontro e encontro palestras como:
(respire fundo!)
01. a historicidade da presença fundada na temporalidade a partir de uma análise haideggeriana da obra ser e tempo.
sem bem delicado. vão tomar no cu!
meu restinho de fé na humanidade me faz acreditar que esse título foi pensado com alguma cadência, alguma pausa aeróbica e, principalmente, com algum sentido.
vou tentar repetir:
01. a historicidade da presença, fundada na temporalidade, a partir de uma análise haideggeriana da obra "ser e tempo".
a historicidade da presença deve partir do pressuposto lógico de que não haja historicidade na ausência. afinal, a história "é o estudo das ações do homem através do tempo", logo se não há homem não há história. é uma frase redundante ainda assim...
fundada na temporalidade. voltamos a redundar. se a historia é (blá blá blá) e a historicidade é o fator histórico nesse (blá blá blá), portanto a história da presença fundada na temporalidade ou é uma merda de frase ou há algo semiotico, quântico ou semiolo que me escapou completamente.
a partir de uma análise haideggeriana. a melhor coisa em ser um desses intelectuais é ter seu fazer coisificado, gramatizado, tranformado em verbo, adjetivo ou (melhor!) interjeição!
a segunda melhor coisa é que esse filho da puta pode mesmo ter escrito alguma coisa que dentro dessa lógica acadêmica escrota, dê a esta frase um sentido completo e sintético, como se disséssemos... sei lá... cu.
como eu nunca li heidegger, não sei se essa tal obra "ser e tempo", é dele. tomara que não, porque analisar a obra do cara pela sua própria ótica é mais esquisofrênico que a historicidade historicista historicizante da história historiográfica estourada fora fhc, fora fmi!
eu não fui assistir essa comunicação, mas queria, queria mesmo.
02. o romanceiro maranhense: em busca de uma identidade regional que não ofusque a erudição da Atenas Maranhense.
com essa num dá nem pra ser delicado. é uma exposição claríssima da intelectualidade local: em busca, porém parada, de cu pra cima esperando o ataque dos marcianos de meia polegada.
eu fui lá, mas acho que os caras não apresentaram nada. saí, mas deve ter sido algo assim:
"olha, senhores. a gente tá procurando ser alguma coisa, mas nada a ver com botar vocês pra trás, tá. a gente quer o nosso espaço aqui, ó... mas dá pra conviver, tá. a gente não quer ofuscar vocês não, tá. desculpa ai, ó."
é no meio dessas que eu vou chegar lá pra façar do alan moore. eu gozo da prerrogatica do louco e posso falar de qualquer coisa.
um amigo meu tá escrevendo uma monografia chamada "a miguelagem enquanto prática discursiva no curso de história da universidade federal do maranhão".
faltou o "e suas especificações". sou fã dessa expressão e a minha mono (que já tem o nome escroto de "a carnavalização da história dentro da indústria turística") terá o "e suas especificações". dá uma autoridade, uma sensação de dissecar um objeto em sua essencia e, como com uma pinça, as suas menores partículas e especificidades.
banca - mas, bruno, cadê as especificações.
bruno - eu só achei a expressão bonita mesmo.
acho que vou levar uma faca amanhã pra ufma. uma faca e um cacho de uvas.
maranhão: tempo de novas idéias (mas sem foder com as anteriores, claro)
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bruno azevêdo
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11:02 PM
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Terça-feira, Agosto 7
MAIS matador de funcionários públicos
eu pareço o tony ramos
eu tenho aquela cara de bom moço que ele tem, e aquele cabelo meio engomado
assim, meio roliço e peludo.
tomei por mim mesmo quando vi o tony ramos pela primeira vez.
e, de repente, era eu ali, explodindo o shopping
caralho, eu pareço mesmo o tony ramos
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bruno azevêdo
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Terça-feira, Julho 24
a ORIGEM do matador de funcionários públicos
eu disse que ela deveria pensar em alguma coisa bem rapidinho, que se ela não pensasse, além de morrer ela, morreria eu, e isso não podia ser.
foi com essa frase que começou nosso diálogo.
não pode ser.
na verdade, foi a segunda. a primeira foi um "bom dia", da minha parte.
não pode ser. não tá em letra de forma, tem que estar em letra de forma, se não não posso aceitar.
não tem outro formulário?
não. próximo.
peraí, como é que o próximo vai ser atendido se nao tem outro formulário?
próximo.
além do mais, a sra DIGITA essa merda dessa informação, esse papel não serve pra nada!
não serve pra nada?
é.
e a história, como fica? meu Sr, isso aqui não é somente uma secretaria extraordinária adjunta de procurações indiretas, isto aqui é parte de uma sociedade que compreende a importância de seus processos históricos e da conservação de seus documentos
então não pode ser mesmo.
não.
foi ai que coloquei fogo na história. travou tudo. nada funcionava. puxei a arma e a velha.
disse que ela deveria pensar em alguma coisa bem rapidinho, que se ela não pensasse, além de morrer ela, morreria eu, e isso não podia ser.
ela chorava, o resto do pessoal se estabanava.
se for você a alardear qualquer coisa você sai naturalmente da lista dos suspeitos.
fogo! fogo!
pensa em letra de forma, porra!
ninguém percebe quando atiro na velha, no buxo, pra cair as tripas e ela virar churiço.
atiro na porta e só percebem o resultado. saio correndo com a multidão
fogo!
fogo!
fogo!
tem uma senhora lá dentro, ela caiu e foi pisoteada.
faz um tempão, mas inda gosto de lembrar..
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bruno azevêdo
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Segunda-feira, Julho 16
A VOLTA do matador de funcionários públicos
olho pro lado. ninguém
olho pro outro. uma mocinha de jaleco. passa pelo corredor.
passa um velho, me olha, finjo que não é comigo.
se um funcoinário público, em seu trabalho, olhar pra você, e você fingir que não existe, ele acredita
o velho passa. abro as salas
nada
nada
nada
esse lugar só se conhece nas piores horas.
a maioria que chega num pode nem mais dizer como é.
acho a sala.
abro as gavetas
um dois
três
acho. branco, quase verde, a boca entreaberta e um Y mal feito do buxo às clavívulas
aumento o alfabeto
A B C PUTAQUIPARIU!
tem uns que uma só não resolve
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bruno azevêdo
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Terça-feira, Junho 19
a microfísica...
tu virou flanelinha agora, é?
olho pra trás. 10 ônibus.
... é...
_ não vai sair agora?
_ não. só sai daqui há... 13 minutos e meio, sra
ela me olha com aqueles olhinhos de gordo
_ só?
tenho um sorriso odioso no rosto. um sorriso que nunca sai e diz “você é um merda”
_ só 13 minutos agora. se fosse a sra esperaria lá dentro que é fresquinho.
pego as sacolas dela e ando um passo atrás, olhando aquela bunda gorda cheia de merda e frustração balançando.
ela pergunta se não tá pesada demais.
_ o conhecimento pesa, minha senhora.
_ tudo pela educação deste país.
boto as sacolas num lugar bem alto no ônibus, numa posição que sei que vai cair no meio da viagem ou, preferencialmente, quando ela for pegar.
desenvolvi esse prazer. minha amiga dazantiga disse que eu não era assim, que eu me desumanizei. o telefone toca
_ escuta, se tu num é capaz de seguir uma ordem, vaza daí que eu arrumo alguém que faça!
tento me justificar pra minha amiga “se não for assim, não funciona. não dá pra ficar conjeturando com 200 pessoas nas tuas costas”
encontro nacional de secretários de educação semi-analfabetos do brasil.
recebíamos os e-mails:
“quando ajente ama a profissão dajente faz de um tudo mais o dinheiro que o munisipio repassa épouco dizendo eles e eu vou ter que levar roupas intimas pra vender no congresso”
eu atendo o telefone. alô. sim. ouço a história, meia hora de uma vida inteira chupando o pau do paulo freire e de como a reserva dela não foi.
_ sabe essa história linda que a sra me contou?
_ sim.
_ vai ter que contar de novo. tô transferindo para o setor responsável.
o sorriso
eu digo pros motoristas não estacionarem de ré porque os passageiros não podem ver a cor dos ônibus. no final eles me pedem uma gorjetinha pra comprar cerveja.
eu entro no ônibus. chove. 800 pessoas, 420 lugares.
_ boa noite. não posso trafegar com passageiros em pé em transportes turísticos, peço aos excedentes que saiam e aguardem o próximo transporte, que sai em 41 minutos.
uso esses números quebrados.
_ que horas são,meu filho?
_ 39 pras quatro
um fulano gordo divide uma cadeira com mais três fulanos gordos. é um bolo de carne e nojeira. ele olha pra mim:
_ mas eu tô sentado, chefia.
eu olho pra ele com o sorriso.
_ os srs vivem de ensinar as pessoas a viver dentro de regras e agora tão me pedindo pra burlá-las.
um fp lá no fundo me apóia, faz barulho. o barulho cresce. saio do ônibus de pau duro.
tem uma mulher sentada na porta, diz que não sai, que não vai esperar caralho nenhum.
_ que nome feio_ digo pra ela. depois explico que não posso trafegar acima da lotação.
_ não saio nem fudendo.
_ qual o seu nome?
_ secretária de tal.
subo. pego o microfone:
_ boa noite, srs. sei que os srs estão cansados e querem voltar para o hotel, no entanto, não posso autorizar a partida deste ônibus porque a sra secretária de tal está parada na porta e diz que não sairá. muito obrigado.
saio do ônibus. o sorriso.
uma lá fora me pergunta:
_ meu filho, onde tá esse ônibus.
_ entre aqui e o hotel, minha sra.
quando se diz estas coisas, deve-se afagar levemente os ombros do cliente, você é o petit gateau da indústria turística. ela não conseguirá reagir.
outra chega pra mim:
_ sou coordenadora dos funcionários públicos da bahia e quero ir pra tal lugar agora.
mostro o crachá pra ela: coordenador de transportes.
eu lembro de ser criança e estar chegando na praia domingo de manhã. a gente pulava no banco de trás berrando “praia! praia! praia!”
ela lê o crachá.
_ infelizmente, o próximo ônibus sai em 27 minutos e não vai para este lugar.
minha amiga dazantigas tem o emprego que eu tinha e se sente bem melhor. eu pedi demissão do meu emprego atual tem mais de 9 meses. num consegui sair.
secretária de tal me liga. diz que adorou o meu trabalho, que sou muito profissional, responsável e comprometido, e que até chuparia o meu pau se me encontrasse denovo.
eu digo ok, já sabendo.
_ mas sabe que eu não consegui uma bolsa do evento. será que você me consegue uma?
_ tu virou flanelinha agora, é?
acordo no domingo vomitando. vou almoçar com meu pai. é segunda
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Sexta-feira, Junho 8
não tem registro
achei essa imagem no site do warren ellis. CARALHO!! é lindo!!
ontém eu tava num papo sobre como admiro esses caras que escrevem "ficção extrema". essa cena, por exemplo é tão completamente absurda que vira uma coisa bonita.
opróprio ellis escreveu uma história louquíssima do planetary sobre uns caras que, pra acelerar a evolução da humanidade, criam um mundo paralelo baseado na "ficção imaginiosa" e mandam "ficcionautas" lá pra fazer pesquisa de campo.
o lovecraft. meu deus! tanto absurdo.
num episódio clássicodo jaspion, satan goss faz clonar o elo perdido entre o dinossauro e a piranha, o PIRASSAURO!!
jaspion detona o pirassauro, mas, PORRA, imaginar um pirassauro já é o maior estrago.
devia ter um personagem nas hqs com esse poder. sou o scifiboy ou o rapaz absurdo, tenho o poder de criar conceitos escrotos.
como o propulsor bistromático ou o gerador de improbabilidade infinita.
inda vou numa convenção da frota. trekkie, trekkie me!
de ferengi.
também queria uma roupa assim:
a karla não deixa, mas um dia ainda faço.
serei um velho frustrado se nunca escrever um livro de ficção científica imaginiosa, ou terror escroto ou monstro invasor do espaço.
o grande lance é que não pode haver humanos. tanta coisa legal que foi estragada pelo simples fato que há humanos envolvidos. alien x predador sem humanos, imagina ai.
eu gosto mesmo é quando o monstro vence.
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bruno azevêdo
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3:37 PM
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Terça-feira, Junho 5
REITOR, PELO RETO!
o cara exercia o direito democrático dele de colar cartaz do candidato a reitor e eu exercia o meu de pichar sarney na testa do fulano. o mesmo com o outro candidato do lado, e o mesmo e o mesmo.
ontem, dois carros de som enormes utilizavam o estado democrático de direito para exorcizar um ao outro com axés, pagodes e forrós tão universitário quanto o público de aulas suspensas.
as letras tinham palavras como honesto, tradição e modernidade.
tradição e modernidade já parece modelo e atriz.
o candidato careca aparece na minha sala e eu pergunto se ele tem planos de reabrir o sucos. ele diz que é a favor da universidade pública, gratuita e de qualidade, da pesquisa e da extensão.
um professor que eu respeito pacas aparece na sala e diz que a aula naquele dia será no auditório central, no lançamento da campanha do candidato careca.
correligionários do candidato cabeludo dizem que hu não é bangu.
um dos vices tem nome de vilão do jaspion.
outro crê nos espíritos como campos magnéticos.
eu vou fazer 10 anos de ufma
10 anos
duas pessoas que entraram comigo foram meus professores. me reprovaram.
pichar sarney no cartaz do candidato careca é mais fácil. tem mais espaço. peço pro cara que cola os cartazes deixar eu escrever antes de colar. a esferográfica não escreve bem na horizontal.
ele me chama de alienado. eu digo que a camiseta dele é massa.
o candidato cabeludo é médico. uma professora me diz que tem 90 professores no departamento de medicina. “a gente não tem, como ganhar”, ela completa.
teve um debate e disseram que o candidato careca arrasou, que foi muito melhor que o candidato cabeludo. “teoricamente superior”, “mais bem preparado”, “com escopo argumentativo articulado com excelência” fora fhc!
mike tyson free!
por isso que o nome da porra do prédio era ceb.
o cristo rei ficou bonito na novela. recebi solicitações praquela pousada.
a do paco
“lá é a sede da reitoria da federal”, eu respondia
“mas é tão bonito lá”, me treplicavam.
eu queria muito uma camiseta do sarney. tenho vontade de fazer camisetas de campanha de políticos escrotos. queria uma do collor presidente, queria uma camiseta do pc farias e instituiria como uma das grandes frases da fé brasileira a épica “deus me ajudou e eu ganhei dinheiro”
eu faria uma camiseta do cafeteira e iria lá votar pro reitor
careca ou cabeludo?
a eleição é hoje
se eu não for vão me dar falta
maranhão: tempo de novas idéias!
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bruno azevêdo
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Segunda-feira, Maio 28
SERÁ QUE EU VOU VIRAR BOLOR!?!

hoje faz um ano, um mês e um dia que eu deixei o monstro souza na conrad
recebemos. achamos bonito. pode melhorar.

o mirizola detona o cony no azul do filho morto. algo tipo "e que se foda o cony que não leu meus originais". que idéia estúpida, eu pensei
o rodemberry ela cana. escreveu um roteiro e saiu pra trabalhar. entrou num boteco e jogou o roteiro no peito de um cara
não entro mais em livrarias (mentira). fico nervoso (verdade)
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Sábado, Maio 19
BREGA É TU, parte II
e o brega?vai rolar
q tu vai falar sobre brega?
a intenção é trabalhar duas "frentes identitárias"
1. o estilo (tema e forma)
2. o público (independe do tema e subverte a forma)
o estilo é aquilo que identificamos facilmente enquanto brega: canções de amor rasgadas, de verbo fácil. a pendenga ai é que essa não é uma exclusividade do brega. quase todos os estilos musicais tem isso o blues, por exemplo, é chifre puro:
"if you see my little red rooster, please drive her home"
"se você olhar minha franguinha vermelha, por favor, traga ela pra casa"
ou mesmo o "hey joe" do jimy hendrix
o que rola é que essa identificação por tema é coisa brasileira, afinal, brega é de quem lhe diz. hoje pode haver um brega “esclarecido”, que faz a sua breguice “consciente”, mas antes havia o cantor de salsa, de bolero, de sambão, e esses caras passaram a ser taxados como cafonas, depois bregas... e ai acabou-se por formatar o estilo
(bem como o reggae no maranhão, que era reconhecido como música lenta internacional, saca?)
o brega só existe enquanto brega porque é denominado assim (como tudo, eu sei), mas o brega assume essa identidade, não tem ela por origem. ela agrupa vários estilos por tema e público. principalmente por público... e ai chegamos na segunda identidade
entao o conceito de brega vai além do q ta no dicionário: aquilo que tenta ser chique, mas é cafona; ordinário
sim. muito. afinal, quem escreveu este conceito é um dicionarista, não um bregueiro. o brega já não tenta mais ser chique há MUUUUUUUUITO tempo
o brega às vezes (quase sempre?) quer mesmo ser brega e pronto
hoje sim! antes alguns ainda brigavam por reconhecimento enquanto"mpb" ou algo assim. hoje o brega é uma estética complexa e flutuante
antes quando? quem?
odair jose era um desses que brigavam
na década de ?? 70?
waldick soriano se recusou a dar depoimento pro museu da imagem e do som, porque só foi chamado quando estava velho e passou a haver um revisionismo da geração dele (habilitação pela classe intelectual)
sim, 70
o termo brega é do entre 70/80. antes era cafona, tipo francisco cuoco
eu li um artigo falando q o brega antes era um som das "empregadas domésticas". isso é um preconceito??
sim. Claro. vamo pra teoria do paulo césar araújo:
"brega é tudo aquilo que não é identificado, pela classe média, nem com a tradição nem coma modernidade"
eu acho que é um conceito que serve bem pra cafonice dos anos 70, mas não vai se aplicar bem pra hoje em dia, com esse brega "pós-moderno". o brega pernicioso e permissivo
o q é o brega pós moderno?

ele é canibal e rompre fronteiras, confunde limites
pensa no rock. o punk rock, o rock psicodélico e o doom metal tem a mesma raiz
o brega pode ser lambada, pode ser bolero e pode ser samba e ainda assim ser brega puríssimo. eu considero isso um elemento pós moderno
o brega captura sentido no que quer que faça, naquele momento, sentido para o seu público. por isso joelma é brega, e o rossi tbm
então é por isso que alguns caras como chico buarque podem ser considerados bregas?
o chico buarque pode ser considerado brega pelo conteúdo, não pelo público que o consome
olhos nos olhos original é mpb
olhos nos olhos com o agnaldo timóteo... é brega!
mas o conteúdo é exatamente o mesmo
existe entao uma "batida" brega?
existe, mas ela pode mudar radicalmente
o agnaldo timóteo fala pra empregada, o chico fala pro filho da patroa
um exemplo interessante é o falcão, que é reconhecido como algo além por ser engenheiro (ou arquiteto, não lembro). ele era um cara que cantava besteira, mas a partir do momento que é um "de nós" ele é aceito
o brega é popular e a MPB é elitista (ou pelo menos pra classe média)?
é exatamente isso. a mpb não tem nadinha de popular (já dizia o zezé di camargo)
disse. pra veja. (sou fã)
hihi
qual é a identidade do brega? musical, letrista, trajes...
nada tem uma identidade só. mesmo as canções de amor rasgados não são exclusividade do brega. o brega pode falar de outras coisas: política, injustiças sociais, extraterrestres
e o que pode fazer com q se diga : isso é brega , isso não é?
o público. o brega é o que chega às grandes massas, à margem da grande indústria cultural
o brega está então pra além dos estereótipos de : música que fala de chifre ou de amor rasgado, com aquela batida, pessoas que cantam vestidas de forma cafonérrima?
ao menos hoje. o sertanejo foi assim, joelma é assim
e o brega no maranhão é um negócio ENORME por gravadoras pequenas, shows em churrascarias e pouca ou nenhuma visibilidade no centro/sul
esse estereótipo também é brega
lairton é brega e teve a carreira empurrada pela i.cultural...
empurrada. mas apareceu e fez muita coisa pelo interior sozinho, e acabou por voltar pro seu nicho, porque esse tipo de produto não vai funcionar como produto nacional. não se encaixa
esses caras, antes de lançar algo grande, fazem uns 10 discos
o lairton é um representante de uma vertente do brega, que começa com o júlio nascimento, que é o brega de teclado
o que significa, por exemplo, joelma fazer sucesso no faustão?
joelma não foi inventada no faustão, o faustão teve que engolir joelma. assim aconteceu com "é o amor"
pois é...
é diferente de uma luiza possi ou de uma vanessa camargo, ou de uma... argggghh... maria rita
por que tu achas q joelma faz hj sucesso até no sul do país?
se joelma quiser sobreviver nesse meio, vai ter que mudar um monte de coisas. ela faz sucesso agora porque o centro sul já pegou um produto lapidado (lairton). um produto que já foi testado e executado à exaustão por essas bandas
é uma moda q passa?
sim. o brega tá sempre na crista da onda e no fundo do mar, no mundo invisível e segregado das classes baixas
mas vamos voltar ao brega no MA. quem são os ícones? onde eles fazem sucesso? (aqui? fazem shows aqui?)
sim. quando falo de brega do maranhão, me refiro ao maranhão e ao pará
certo
porque no interior essa diferença é bem mais tênue. e é um "movimento" que começa por lá, são os 2 estados onde mais se tem "brega"...?
no formato que concebo, sim. temos vários ícones
adelino nascimento
julio nascimento
wanderley andrade
walfredo jair
qual o formato?
(formato de brega de teclado, pouca estrutura, facilidade de locomoção. cantores das classes baixas, amor e chifre como temas centrais e, às vezes, auto ironia)
silvano salles, sandro lúcio, lairton, roberto vilar, chico lopes, lindomar lins
por que, nacionalmente, caras como falcão e reginaldo rossi fazem mais sucesso? seria pela veia mais cômica?
o reginaldo rossi foi eleito como arauto do brega, eleito pela classe média. foi legitimado para ocupar um trono de rei do brega
pq?
o que não invalida a carreira dele, é claro, ele não nega a sua breguice, apesar de ser um cara que contesta o termo
o reginal do rossi é um lance até mais complicado, porque vai pedir mais pesquisa. de antemão, ele é um cara antiguíssimo no brega que conseguiu um estamento que os outros não tem
ele é a world music do brega, é isso. é o brega que, por algum motivo, pode entrar em festas onde o brega naturalmente não pode
fica o pq pra depois..
ele não é o outro (mas que é um tópico instigante, isso é!)
o falcão já faz uma sátira ao brega, ele é um ''intelectual" que faz um metabrega... como o que o raulzito fazia com tu és o mdc da minha vida. é brega? é. é pra quem ouve brega? não
o que tem em comum chico buarque, waldick soriano e falcão?
torturas de amor
hehehe
nos dois sentidos
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bruno azevêdo
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9:36 AM
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Terça-feira, Maio 8
BREGA É TU
ando meio parado na web, mas tem coisa acontecendo fora dela (surprised?). na quinta que vem (sem ser essa, na outra. adoro essas expressões) vou conduzir uma peleja sobre brega na ufma. vou levar uns disquinhos e um litro de cana do batista. pintem por lá. é de grátis
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bruno azevêdo
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12:28 PM
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Sexta-feira, Abril 27
O MATADOR DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
num deu nem 10 minutos de conversa e ela já tava de boca cheia
hum hum hum
tá. foi o jeito. eu fiquei com um tesão louco e deu no que deu
é seu, o som?
uhum...
que tem ai? deixa eu ver
vou jogando os disquinhos pela janela
ela usa uma sainha pouco acima do joelho e um taiê
melhor não morder, digo pra ela. podia ter facilitado
liga pro teu pai ai!
ela liga
fala que tu não quer mais esse emprego, fala.
ela fala. chora que não quer mais
ela desliga, continua
paro. agradeço. digo tchau
bum
não dá pra confiar nesse povo
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bruno azevêdo
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7:25 PM
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Terça-feira, Abril 24
o que eu queria mesmo era começar o livro com algo que fosse bonito.
quem aprecia a feiura suporta a falta dela, o contrário não acontece. o feio espanta o admirador da beleza na lata.
se deveria começar mesmo é pela capa.
o livro me fascina, a literatura me cansa.
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bruno azevêdo
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12:28 PM
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coito cinematográfico
uma pequena dica: quando decidirem ver os 300, vejam no fast foward, 2x.
você vai ganhar uns 50 minutos em sua vida, que podem ser usados pra ler uma hq batuta que tem o mesmo nome do filme.
aquilo é ruim que dá nó nas tripas. nunca vi tanta câmera lenta na vida e conseguiram fazer uma cena de trepada pior que matrix (tá bom, defendo o sexo gratuíto nos filmes. há de ter algo que preste) e uns 20mil litros de sangue espirram no ar a cada segundo, evaporando... todomundo (inclusive o chão) fica limpinho, limpinho.
o filme fica lá fodendo a cabeça do expectador, naquele devagar, rápido, lento, mais lento, rápido.
quem mandou querer adaptar uma história de meia hora num filme de duas.
hehee
o espartano mel gibson wallace gritando liberdade... ê, boi!
só falta o frank miller filmar o cavaleiro das trevas 2
preguiça de merda
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bruno azevêdo
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12:18 PM
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Quinta-feira, Abril 19
Quarta-feira, Abril 18
COMPREI MAIS UM MONTELLO
sou viciado em sebos por dois motivos:
1. preço menor
2. dedicatórias
nada mais legal, mais batuta que comprar um livro com dedicatótia de/para pessoas que você não conhece.
uma varanda sobre o silêncio
para a minha irmã querida, com carinho, fulano, 1989
eram os deuses astronautas
marcelo, te amo tanto que você só deve ser de outro planeta, júlia
quando conheci o amaral, do hipocampo, foi vasculhanco o sebo do riba. achei por lá aquela loucura toda. tinha escrito:
para o riba, blá, blá, blá, amaral.
não custava caro.
é. às vezes eu invento. escrevo dedicatórias que não existem nos livros que compro so sebos
uma aprendizagem ou o livro dos prazeres:
sandro, VÁ TOMAR NO SEU CU!
sandra
é como aquela música do morphine. um livro só me pertence mesmo depois que escrevo meu nome nele, uma dedicatória pra mim. se tem uma de outro eu deixo pra lá:
minha vida não seria a mesma sem você, se você me largar eu me mato.
numa edição de werther, 1978
guardei tanto amor pra você, jarbinhas, tanto amor e você não soube esperar. este livro é meu pedido de adeus. adeus.
na casa dos budas, sem data e assinatura
eu raramen te leio o que compro, me basta guardar esses pedacinhos de amores ou rancores alheios. um livro se faz pelo que nele se escreve.
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Sábado, Abril 14
EU FIZ UM PAULISTANO FELIZ
foi a primeira coisa que meu coração solidário me fez pensar quando me toquei que a minha carteira tinha sumido.
a segunda coisa foi: CARALHO!

a meiadúzia de meganhas do lugar age com batidas periódicas, num fluzo e refluxo dos cadeados das banquinhas que vendem cds de playstation e mp3 players por preços inimagináveis.
e um filho da puta de lá ficou com a minha carteira:
comercial da globo:
plano contínuo. câmera no ombro. som direto: muita gente andando e falando, ouve-se várias lingua (árabe e chinês entre as primeiras).
close: rosto de um cabra sofrido.
voz em off - este é o filisbeno. filisbeno trabalha de segunda a segunda, de sol a sol, como todo brasileiro.
corte. câmera volta em vários planos curtos, mostrando filisbeno no trabalho e voltando pra casa em 2 metrôs, 3 trens e 1 ônibus. muita gente.
voz em off - mas filisbeno sabe que cada dia de trabalho, cada gota de seu suor que rega este chão que é de todos nós, renova a esperança de um brasil melhor, mais unido.
plano aberto, superior: filisbeno chega em casa. bota na mesa a feira do dia: um pepino, duas jacas, algum dinheiro e uma carteira verde velhinha velhinha que eu ADORAVA!!
close no rosto feliz de filisbeno.
música quase clássica ao fundo. obrigatório uso de violino.
os 17 filhos de filisbeno se agrupam à mesa com ele e a mulher, grávida. a TV ligada.
voz em off - programa trombada brasil. contruindo um brasil de encontros.
corta.
me disseram que o criança esperança não tem um programa sequer no maranhão. nenhunzinho.
queria saber se dá grana. deve dar grana ter uma ONG, se não ninguém teria. algo como prolabório social, contraprestação pecuniária da boa vontade.
daí que vou criar o MATRACA PARA TODOS, que fará exatamente o que o nome diz.
um maranhão de ritmos, fé e igualdade. matraca para todos, porque se não tem esperança, o povo dança!
a roseana compraria, com certeza. retia a cara dela nas matracas.
antes tinha um índio cachimbudo americano (meio indio, meio preto velho de terreiro) desenhado na fachada da galeria pagé. tiraram. eu achava bonito aquilo. é bom poder renovar nossos preconceitos.
maranhão: tempo de novas idéias
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bruno azevêdo
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Quarta-feira, Março 28
POR UMA NOVA PROSTITUIÇÃO INFANTIL |01|
Acho que vou largar de perseguir o cinema. Porra. Acabei por achar um outro assunto além dos gordos e dos funcionários públicos.Daí que um dia desses fui ver o lambretêro fantasma. Eu gostava daquele lambretêro 2099, que tinha um lance cyberpunk e o papel era tão vagabundo, em formatinho, que não dava pra entender merda nenhuma do desenho. Num lembro bem, ma seu gostava.
Um tempo atrás pensei numa paródia: o pipoqueiro fantasma. Seria a história de um cara apaixonado que se atrapalha com o carrinho de pipoca e se queima todo, virando o grande paladino dos apaixonados, empurrado o carrinho de pipoca incendiário pelas ruas.
Eu tinha medo do piromaníaco quando era menor, tinha medo do fantástico, desde a abertura!
Daí que um dia tem uma matéria maldita com um cara que jogava álcool pela janela das pessoas enquanto elas dormiam e tocava fogo nelas! Meu deus!! Eu tinha medo mesmo dele me fritar de noite, dormia de janela fechada e a porra do piromaníaco nunca apareceu.
O filme do lambretêro fantasma é um cu!
Mas as menininhas na porta do cinema eram uma delícia. Sainhas, blusinhas, maquiagem, 12 aninhos.
E eu acabei descobrindo que gosto mesmo de filmes de sacanagem, e sou completamente à favor da prostituição infantil.
Postulado – o que você tem consciência pra dar, tem consciência pra vender!
Se as menininhas de 09 aninhos são objetos completamente sexualizados, por que eu não posso lucrar com isso?
Quem sacou mesmo foi a traci lords e a tal da liz vicious.Virei fã da Liz Vicious. É uma Avril Lavigne pornô. Tem a mesma cara, o mesmo cabelo, as mesmas roupas, a mesma “atitude” e a mesma “ascendência” punk, só que ao invés de um microfone tem um caralho na boca.
19 aninhos, ela diz.
Tá que pra mim ninguém superou ou superará a Silvie. Silvia Saint é o Akira do mundo pornô. Basta olhar qualquer boquete da Silvia Saint pra sacar. She’s got the mojo!
Mônica Matos também é outra heroína. Descobri um dia desses que ela é viciada em dorflex. Porra, lindo. Num tem KY, vai dorflex.
O pornô nacional é fantástico. Uma indústria que cresce a olho vistos, se profissionaliza, gera cada vez mais grana e se exporta sem absolutamente nenhum auxílio do estado (acho eu).
Imaginem vocês a comitiva do lula com cachaça, samba e as brasileirinhas!
A da ucrânia tinha tânia russof, que era miss!! Tatiana é um clássico, os caras sacaram o lance do pornô com história. Coisa de namorada com namorado na locadora:
— eu num gosto de sacanagem só pela sacanagem... tem que ter história!
E dá-lhe tatiana. Um clássico.
Mônica Matos ficou famosa por causa de um filme chamado violação anal. Essas caras sabem batizar suas obras. Depois ela fez um com um cavalo e uma sessão de fotos linda onde ela e uma mocréia se vomitam, lambem e comem. Se faz até filmes, como esse do Frota, onde a grande estrela é o caralho. Um dia desses vi um chamado 3 horas de Mônica Matos, tem o frota, outros dois caras meio famosos e até um anão!
Um fulano me disse que o nanismo não afeta os órgãos genitais.
O Nelson Ned disse que era um devasso. Hahaha. Tudo passa, tudo passará!
Não vou mais conseguir olhar prum anão sem pensar que ele tem um pau maior que o meu!
Mas a Liz Vicious sacou mesmo a bagaça. Olha só. Como leigo, imagino que a pornografia é uma forma de sublimação. Tipo, o cara vê o que não pode fazer ou algo assim.Pra mim pornografia e trepada num tem lá muito a ver, dá no máximo pra punheta.
Mas ai a desgraçada da Liz Vicious sacou isso direitinho, subverteu a lógica do pornô e atualizou a sublimação
Os caras gozam dentro dela e não naquela carinha de cantora pop.
Meu amigo, no tempo da aids, cancro, sífilis, gonorréia e, principalmente, do maldito bucho, nada mais seguro, bonitinho e de família que andar por ai gozando na cara alheia.
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bruno azevêdo
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Terça-feira, Março 27
Sábado, Março 24
supastar!
Upa!
não respondi isso aqui antes pq tava na terra do manoel bandeira, na terra do augusto dos anjos, salve salve. na terra dos grandes valores varonis rodrigueanos, salve salve!
valeu mesmo pela atenção. esse post (que não era p dar em nada) virou o recorde de comentários de O putaquipariu! valeu. eu deixo vc gozar com o meu pau qqr dia desses!
é o jomar moraes fazendo escola... hehehee
e como diria o dr gull...
01. gonçalves dia CONTINUA sendo o caralho. caralho, inclusive que ele não usou. tinha um cara que comia a anamélia direto. o poeta punheteiro. boa! cara, gonçalves dias é uma estátua onde os pombos cagam em cima, já sacou? à noite dá pra comprar uns boquetes lá (de viados) por até 10 reais. se vc optar por também comer (ou dar) pro viado, pode ir ali pro fundo do prédio do BEM (mesmo sendo do bradesco) ou ir naquele motel que tem uns quartos enormes e cobra o preço do boquete.a questão é qual gonçalves dias faz sentido pra gente hoje. a questão é que falar da estátua do GD e do joão lisboa não faz lá muita diferença pra quem lê. Juca pirama é um porre! indio greco romano é uma merda!
02. o maldito capitalismo fazia parte da legião do mal, mas migrou pros xmen quando a série foi cancelada. hoje ele dá palestras sobre os anos 80 e vive bem disso.
03. a revolução pediu divórcio...
04. minha miopia aumentou mesmo. antes era 5, gora é 5emeio
05. "ademais" seria tbm algum poeta obscuro do século XIX? tipo ademais pacheco? andrade de ademais?
06. eu acho MESMO que sou o maior escritor maranhanse nascido na cohab em outubro de 79 da atualidade. pode botar nos compêndios da maranhensidade.
07. o gullar retrata o maranhão, sim... hehehe... o vinicios disse que era a melhor coisa "até agora", quando mesmo? nem lembro. pena que não se fez nada que prestasse desde então. oh, mundo, oh, dia, oh, ejaculação precoce.
08. qual o problema com a vaidade? vc é tão narcisista que n assina as cagadas que escreve... hehehe
maranhão... hehehe... tempo de novas idéias!
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bruno azevêdo
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Sábado, Março 17
ontém tava num papo de buteco sobre a nossa "geração". sobre esse pessoal aqui de são luís que acabou por se envolver com arte no final dos 90 e começo dos pós 90. eu frequentei alguns círculos, principalmente de pessoas envolvidas com música, quadrinhos e literatura.
nenhum desses grupos existe mais e restaram um punhado de conversas de buteco e revisionismos de coisas que pouco existiram, porque, afinal, a reminiscência mais forte de grupos de produção artística é aquilos que eles produziram.
enfim, eu mesmo nao parei de fazer porra nenhuma, e enquanto não existe mais cena musical ou qualquer merda parecida em qualquer outro campo, eu continuo batendo a cabeça pra fazer alguma coisa. tentando fugir do natural espírito lamentador caga nas calças do artista maranhanse. bem, tenho que dedicar um texto maior a isso um dia (olha a arrogância...)
só a cara de pau salva, já diria jesus na cruz.
tem gente que me acha obssessivo
e é ai que entra esse desenho do amaral, ele tá certim certim
maranhão: tempo de novas idéias!
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bruno azevêdo
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Quarta-feira, Março 14
SAIU HOJE NO SARNEYNEWS
deve estar mesmo difícil manter os filhos em casa, as pessoas apelam para tudo. não tem creche, deixa do hospital.
eu já mandei uns vermes, duas neuroses e uns 3 graus da minha miopia.
faça sua parte, reparta!
maranhão: tempo de novas idéias!
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bruno azevêdo
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1:33 PM
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Terça-feira, Março 13
menino joão hélio mashwear
Isso tudo depois que um fulano ligou pra ela umas 3 da manhã, com um papo de que alguém tinha sido assaltado, seqüestrado ou coisa que o valha.
E lá vou eu levar a sogra pro hospital, com um só pensamento:
“porra, como deve ser legal passar esses trotes!”
Minha namorada diz que eu posso acabar matando alguém com isso, mas acho que vale à pena. Tipo, alguém poderia ter matado a minha sogra com aquilo!
Outro dia também joguei o carro pra cima de um cara. Sei lá, era um cara forte, saindo da academia, andando no meio da rua, indo pro carrão dele... eu achei que tinha direito, entendem. Puf! O cara deu um pulão, foi pra calçada, tirei um fino!
Ri muito, mas a karla ficou fula da vida, disse que não ia mais me deixar dirigir.
Ótimo, eu detesto mesmo dirigir mesmo
Vivo imaginando tragédias.
É como aquela cena do comecinho do akira, que um dos motoqueiros entra pela rua errada. O que vai pelo caminho certo só vê o clarão à esquerda, bum, mas não para.
Eu ando sempre assim, só que eu mesmo sou os dois motoqueiros.
E se esse ônibus me atropelasse?
E se o lula atirasse no bush?
E se esse prédio desabar, é melhor estar no último ou no primeiro andar?
É sempre uma cena paralela, quando olho pra frente novamente ela já passou.
até já existe
“menino joão hélio”
Ta todo dia na TV
Um carro.
A imagem fica clara e escura, à medida que o carro passa pelos postes
A câmera desce, num plano mais fechado
Casal feliz no volante, menininho dormindo no banco de trás. pára no sinal, chegam dois caras, tomam o carro de assalto
“por favor, não arrastem meu filho preso pelo cinto de segurança”
Os assaltantes chutam o palerma do carro, chutam a vagaba, atiram nela
Ligam o cassete, toca um rock da estação, tipo pity, cheio de atitude
O malaco no banco do carona faz um cafuné no menininho, ainda adormecido
A câmera fecha nele, dormindo, calmo, se livrando dos pais
Entra a chamada:
“menino joão hélio, até os malvados se derretem”
Um dia desses vi no jornal que um grupo de intelectuais estava organizando um protesto por causa do menino joão hélio
Na capa da veja tinha uma propaganda do menino joão hélio
“mais uma vez não vamos fazer nada?”
Hehehe
Na novela também teve uma propaganda, eu vi
É que nem a camisa do câncer. Que já é um alvo
Além da menino joão hélio, devia também ter a camiseta da bala perdida, assim:

...
You shot me down,
bang
bang
I hit the ground
bang
bang
hihihihih
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bruno azevêdo
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Segunda-feira, Março 5
Acabei de ouvir na AM
Ligou é roberto carlos, com silva rocha
Silva rocha e um outro cara conversam no ar, telefone toca:
Ouvinte - ei, qualhira
Silva Rocha - alô
Ouvinte - ei, qualhira
Silva Rocha sidekick - porra, como é que um cara liga pruma rádio, um programa de categoria como esse aqui que só toca Roberto Carlos e diz uma coisa dessas?
Silva Rocha - Mal sabe ele que a gente pode pegar o telefone dele agora, bater com a polícia lá...
Silva Rocha sidekick - é mesmo.
Silva Rocha - Ele vai ficar lá falando... “foi só brincadeira, só brincadeira”... mas eu acho que ele que é qualhira mesmo, né.
Silva Rocha sidekick - bichinha.
Silva Rocha - Bichinha, bichinha... liga pra cá com essa vozinha “tu é qualhira”, “tu é qualhira”. É uma bichinha mesmo.
Silva Rocha sidekick - é mesmo
Locutor - Esses caras ai, incubados, são assim mesmo, ele que é qualhira. Bichinha.
Alguém liga denovo, a transmissão tá ruim.
Silva Rocha - olha, amigo, eu não consigo ouvir não, qualhira é tu!
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bruno azevêdo
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5:01 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 26
montello
na minha falta de criatividade e preguiça, deixo aqui um parágrafo do montello
"Maria Olívia, de tão atenta, não respirava. Somente seus olhos levemente se contraíam, como se fossem fechar com a intensidade da emoção, e ela apertava os dedos entrelaçados sobre o regaço, sem perder palavra ou movimento de natalino" noite sobre alcântara, pás 404)
CARALHO! o velhinho é foda mesmo. como é que o cara consegue escrever um negóço desses: tão redondo, tão certinho, tão preciso?
tem movimento, emoção e funciona nele mesmo, em qualquer lugar, em qualque época, com qualquer Maria Olívia e com qualquer natalino... em qualquer leitor.
merda!
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bruno azevêdo
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5:48 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 15
BOCETAS VOADORAS!
olha só: instalei o google analytics em O PUTAQUIPARIU!
daí que agora posso saber quem entra aqui e, principlamente, quantas pessoas entram aqui.
sção poucas, pouquíssimas
me fez lembrar de uma amiga que fez a mesma coisa e descobriu que as únicas pessoas acessando o blog dela eram o ex namorado e a mulher que o ex namorado tava comendo!
mas bem. a parada lá tem uma função que permite sabner como as pesssoas chegaram no site. eu dei uma espiada lá e achei isso, que é o que as pessoas escrevem no google e acabam por me encontrar (entre parênteses a quantidade de pessoas que veio aqui por isso):
Palavra-chave/Origem[Mídia] Visitas P/Visita G1/Visita $/Visitas
1. "a bailarina no espelho" 6
esse aqui é um da série o avantajado homem engavetado. o que me pergunto é quem porra tá procurando isso!
2. dicunforça 2
well, essa palavra aparece somente uma vez em todo esse blog. o cretino que entrou aqui através dela deve ter muuuuuuuuuuito tempo livre. outra: o que porra alguém pode querer com uma espressão dessas?
3. materail para cachorroquente 1
já posso começar a pensar em futos comerciais mais objetivos presse blog...
4. logomarca com cavalo desenhado 1
CARALHO! será que alguém tava procurando im carrão e acabou parando aqui!?
5. caralho de asa 1
que no próximo também haja bocetas voadoras!
6. a logomarca é uma cara com bigode 1
há uma lenda que diz que aquela velhinha da casa do pão de queijo casou com o cara das aveias quaker. ela anda por ai de aeroporto a aeroporto, provando e testando a qualidade de todas asa suas franquias, nunca parando, nunca descansando. em cada parada ela oferece uma rodada de pães de queijo a todos que porventura estejam no estabelecimento. é essa esperança que faz com que as pessoas fiquem lá por horas, esperando a velhinha aparecer...
a tal logomarca deve ser a da famigerada SBB, sarney brega band!
7. blog bruno azevedo 1 ´
porra! so um!
8. negro loiro cantor de brega 1
ôpa! boa idéia!
9. do cabare para o convento 1
ou vice versa, acaba-se em O PUTAQUIPARIU!
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bruno azevêdo
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4:24 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 14
eu virei cantor de brega!
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bruno azevêdo
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1:29 PM
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Terça-feira, Fevereiro 13
sonic sonic sonic
sonic youth
os amplificadores ligados enquanto se vai na lanchonete. a luz vermelha acesa. depois a gente retoma do mesmo riff. uns 20 minutos depois.
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bruno azevêdo
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10:50 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 8
Terça-feira, Janeiro 30
o cinema denovo
O problema do cinema é que de vez em quando eu vou lá
Apocalypto
Um grupo de formigas numa paradisíaca árvore, numa paradisíaca floresta em um paradisíaco país
Mas eis que um dia aparece o grande pai invasor e seus operadores despernados e derruba a árvore. As formigas se espalham pelo mundo na queda e correntes de ar as levam para várias partes do planeta, onde elas vivem isoladas durante séculos, fundando suas próprias comunidades e vivendo não mais nas árvores, mais em fétidos e úmidos buracos de parece.
No entanto elas nunca esqueceram de onde vieram e acreditam que um dia um salvador virá, com enorme força soprará ventos descomunais que reunirão todos os povos num só e, com seus próprios braços, erguerá a grande árvore primordial para que todos voltem a ser felizes...
Fiquei empolgadaço. Massa. Filme bom!
Que nada, era uma porra de filme do rambo, do rambo maia americano que usa veneno de sapo, tigre de pelúcia e armadilha de porco pra matar os vilões asquerosos e salvar a mulher prenha que não sabe nadar. Splater. Gore gore gore!! Viva a liberdade!
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bruno azevêdo
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12:33 PM
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Quinta-feira, Janeiro 25
O MATADOR DE FUNCIONÁRIOS PUBLICOS
chego perto do guarda. bem perto. pertinho
olho pra baixo
vai tomar no teu cu
ele não ouve
que horas tu sai daqui, hein, gato?
ele ouve
peraí, digo, mais perto. relaxa. eu te dou uma grana. sei que tu transa uns caras
chego mais perto
pertinho, encoxando
ele me empurra, me jogo no chão
faz tun
grito
seu troglodita. eu só queria fazer um cdd!
alguém me levanta. manco
olho pra câmera. vou falar com o gerente
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Quarta-feira, Janeiro 24
caolho mete o pau com o pau no meio das pernas
ronilson freire informou a esta editoria que na sexta passada o delegado caolho se meteu em mais um dos seus chafurdos na praia grande.
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bruno azevêdo
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Domingo, Janeiro 21
desenho do souza
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bruno azevêdo
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Sexta-feira, Janeiro 12
hic!
minha mãe tem medo deu virar alcoólatra
minha namorada também
eu, não
é que hoje eu dei pra beber como padre, um pouquinho todo dia, pra melhorar o mundo, pra fazer com que as coisas funcionem na hora em que as coisas devem funcionar (não o meu pau que inda não precisa), como remédio para a depressão pós expediente.
foi quando descobri o verdadeiro poder do álcool, não o de te levar pra outra, mas de te trazer pra si
bebo socialmente comigo todo dia, antes bebia antisocialmente com os outros esporadicamente e ninguém me criticava
uma amiga me disse que eu posso passar oito anos nessa antes de ser diagnosticado. Como ela é funcionária pública, acho que em três anos eu tô na merda, ela deve ter calculado o tempo que será capaz de me dar assistência
“o sr, por favor, beba este litro de sapupara e aguarde aqui no corredor”
se eu pegar pelos 3 anos passados, há algo de bom na revolução promovida pelo alcoolismo
um amigo psicólogo me disse que esse termo não se usa mais, que hoje se diz alcoolista, porque o dependente do álcool não necessariamente o ama
“tome essa cachaça ai, meu filho. Vai ser bom pro seu caráter!”
politicamente correto de cu é rola!
À propósito, cu, rola e buceta tem tudo a ver com essa coisa toda
Internaram o cafeteira, por algum motivo... hehehe
Maranhão: tempo de novas idéias!
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bruno azevêdo
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9:58 AM
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Terça-feira, Janeiro 9
Sábado, Dezembro 30
Terça-feira, Dezembro 26
de cara nova
inventaram uma ferramente nova aqui no blogger e tô tentando mudar a cara de O PUTAQUIPARIU. ainda não cheguei em algo que preste, paciência...
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bruno azevêdo
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12:24 PM
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Sábado, Dezembro 16
um conto de natal
deixei meu sapatinho na janela do quintal e roubaram
comprei um quilo de dinamite e esperei o natal do ano seguinte.
quando pude finalmente botar o sapatinho na janela
mamãe morreu
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bruno azevêdo
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Sexta-feira, Dezembro 15
na sarjeta
O maranhão tem dessas de achar que tá sempre no seu pior momento, meio que faz parte da identidade do estado, “meu passado é que foi cool, minha vida agora é trash”, como diria a canção invertida.
Daí que se faz o tal do prêmio universidade, no teatro, eu fui.
Ninguém lá dentro, o mesmo pessoal, aquela coisa. Antes tinha ao menos cerveja de graça.
Tudo nas cntp, consegui adivinhar todos os premiados... hehehe
Até que sobe um político no palco, um não eleito, paga pau, pra receber o troféu sei lá o quê.
“vou ser breve. Prometo”, ele diz
Eu saio de lá.
É foda ter que concordar com a comuna do esgoto.
O pior de tudo isso é que a pequenês do prêmio não deixa de ser uma radiografia da pequenês de nossa música. Queira ou não, a festinha anual de confraternização da mpm é uma mostra de que tudo continua estático, que não há bandas novas, artistas novos e o pior, não há uma cena ou uma referência de ponto ou estética que leve esta porra pra algum lugar.
Tanto mostra que o tema este ano era a homenagem a um festival do passado que falava... do passado!
A única coisa capaz de não apodrecer no maranhão é “a vida é uma festa”, porque já nasceu poder!
E eu gosto da rádio, mas não tocar brega e se dizer representante máximo da música do maranhão é burrice! O que é autêntico é o que a intelectualidade arrogante assume enquanto autêntico. Brega não!
Mofo é bom!
Maranhão: tempo de novas idéias!
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bruno azevêdo
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Segunda-feira, Dezembro 11
Sexta-feira, Novembro 24
Quinta-feira, Novembro 23
obsessão e morte em Odair José e Zé do caixão
Zé do caixão é um clássico personagem de terror, mas quem tem o nome no título é o Odair, josé... o terror das empregadinhas.
Em Odair se confunde ternura com terror e o pobre Mojica fica relegado à cova da comédia, o que é uma grande injustiça.
No frigir dos ovos, no cagar dos pintos, estão os dois em busca da mesma coisa... do amor.
Odair de forma mais descarada, tendo o amor como seu único e exclusivo assunto, por todas as vias (isso mesmo) e sem restrição de classe ou estamento social. Odair ama porque o amor é inevitável, ama porque, se dão, o cara tem que comer.
Já Zé do Caixão busca o amor por sua forma mais fatal, mais biológica... o rebento!
Zé se realiza e existe através do filho perfeito, daquele que dará continuidade à sua obra (mesma obra da qual ele nunca falou. Muito prudente o Zé: de nada vale uma obra deixada pela metade), e para isto precisa encontrar a mulher perfeita, gostosa e com sangue de barata (num erro de cálculo fudido. Zé deveria procurar uma mocréia, mocréia com um recessivo bom, porque mias com mais dá menos!). Zé tem o amor na base da taca e do chicote, canta mulher do amigo e mata o amigo se a mulher não liberar, pro Zé ou dá ou desce, é um amor cru, movido pelo mais básico instinto e preceitos bíblicos.
No mesmo caso cai o Odair, que para falar de amor tem sempre que falar de parto.
É um “pare de tomar a pílula” (empata parto), “um então vi você morrendo sem puder me despedir” (parto trágico), “hoje ela está comigo e esperando um filho meu” (parto eminente), “na hora do parto eu chorei” (parto da globo).
O amor sem filhos não é amor para Odair, se Odair faz, Odair assume. Odair se rebela com o mundo, com a tecnologia, com a sociedade, com deus que inventou a regra mensal e com as fêmeas que não liberam a bacurinha e não admitem que o amor para Odair é no osso, e venha o que vier!
Enquanto isso Zé do caixão come um monte de gente e nada vinga, quando vinga ele mata porque a mulher não consegue dormir com caranguejeiras ou alguém mata porque a mulher já era de outro.
Olhando pros dois agora, fudidos, depois de fazer um monte de coisas, o Zé que se deu de bem. Ao menos pensão ele não vai ter que pagar!
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bruno azevêdo
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Quarta-feira, Novembro 22
relendo o neuromancer
O céu estava cinza como uma tv fora do ar.
Foi assim que a frase ficou na minha cabeça, na primeira vez que li o livro, uma porrada! Por ai vi que a proposta era mais ousada do que eu esperava, porque o cara inverte a relação metafórica mais natural da literatura: artificial x natural.
Relendo agora, numa nova tradução, a frase perdeu um pouco a fluidez e acho que ainda vou riscar nessa nova cópia e substituir pra essa que tenho de memória. Que é como o Gregor Sanza acordando ou o Mersault lembrando da morte da mãe.
O mundo de neuromancer é tão artificial que é isto que se toma como base para representar o natural/ausente/desejado.
Os personagens, em seu pequeno mundo de shadowrunners, mesmo que isto esteja claro, não me parecem uma casta paralela à sociedade. O cidadão da companhia (eu mesmo, hoje, não passo de um, sararymam), a superpopulação, a prostituição com “inibidores de consciência” e a droga como parte necessária da vida (em nenhum momento é posta como ilegal no romance) me dão uma sensação de intimidade enorme com toda a atmosfera.
Como no Transmetropolitan:
— porque você faz filme pornô e não se prostitui?
— o pornô eu faço e é esquecido, da prostituição você nunca escapa.
(ou algo assim)
Neuromancer, visto hoje (o livro é do começo dos 80) pode passar como trivial, ou mais um livro com gente entrando em computador que entra em gente, mas, esquecendo o mérito de ele ter criado toda esa porra, noto que a maior preocupação é com a sociedade que se desenvolve em torno da supertecnologia. É mais antropologia do futuro que romance de ficção científica (tem diiferença sim!!)
Não só a tecnoviolência física, mas pelo que essa mesma tecnoqualquercoisa poderia mudar a sociedade e resignificar seus clichês.
Como case e Moly, Armitage e Wintermute.
Digo sempre que o mundo é melhor com naves especiais e pistolas de raios.
Que se diga tudo, mas em velocidade de dobra sempre melhora e é isso que o william gibson faz no livro.
Como aquela matéria do cara que via a cara de jesus cristo na TV fora do ar.
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bruno azevêdo
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Terça-feira, Novembro 14
Sexta-feira, Novembro 10
Terça-feira, Novembro 7
esboço de uma introdução para a crítica conteudística do brega
entre as formalidades da academia e as deformidades do restinho de cerveja quente no fundo do copo, situa-se o brega.
Aquele grupinho de universitários pedindo o chico no buteco escroto da da moda mal sabe que clama pelo brega. Não admite, mas é.
Exemplo:
“Se amanhã você me encontrar de braços dados com outro alguém
Faça de conta que pra você não sou ninguém”
- paulo sérgio
“Se você sentir saudades, por favor não dê na vista
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista.”
- chiço buarque
O problema é quando se tenta explicar que paulo sérgio e o rei não são a mesma pessoa.
São dois corníssimos, mas ao primeiro falta a vergonha na cara e o tal “rebuscamento poético”.
A tese do júlio nascimento:
a condição sócio afetiva de um homem comum em júlio nascimento
Gênero e identidade: violência simbólica e emblemas de amor em leidiane de júlio nascimento
...e suas especificações
júlio nascimento, em seu sofrimento salve salve, disse tudo:
“eu fui ao garimpo e deixei a minha mulher”
Aqui, de cara, já se nota a situação de penúria do homem comum, do homem do campo, que expropriado de seus meios de produção, deve deslocar-se em busca de melhores condições. Deixa-se o coração em detrimento do bolso.
“ela entregou o amor pra quem quiser”
Notem o rebuscamento do poeta. Ela entregou o amor pra quem quiser. A promiscuidade da carne não dói como a submissão do amor. Nascimento preocupa-se com o lado sublime e inalienável da relação. Lavô, tá novo!
“eu estava trabalhando, trabalhei com muita fé
Arranjei muito dinheiro e mandei pra minha mulher”
Outra característica marcante do homem varonil brasileiro, capaz de compreender a importância da força de trabalho dentro das relações globais da economia.
Ao associar fé, labuto e amor, o compositor reforça seu compromisso com todo o escopo social em sua volta: igreja, família e propriedade.
De nada lhe serve a fortuna sem o amor, de nada vale o amor distante sem dividendos. O homem completo julionascimentiano existe a partir do momento que sua relação distância/trabalho/saudade se completa.
“Ela foi gastar com os homens lá no cabaré”
Talvez o verso mais dúbio da canção, pois não fica exatamente claro o destino final do dinheiro.
Se compreendermos que leidiane estava gastando o fruto do trabalho do marido com sexo e álcool, estando feliz com isso, e levarmos em conta o postulado anterior (o homem julionascimentiano) não há nada de errado com isso. a tríade distância/trabalho/saudade se justifica com a felicidade do receptor final, o homem julionascimentiano é um abnegado!
“leidiane, leidiane, meu amor
Leidiane, eu te peço, por favor
Leidiane eu te peço pra você voltar
Avolte, meu bem, que eu sei que vou te perdoar”
Há uma clara necessidade fetichista do autor em ser aceito, aceitando, espelhando seus próprios erros nos necessários erros dos outros.
Leidiane é o próprio nascimento, é onde o nascimento sublima tudo aquilo que teria feito se as condições sociais do país não o obrigassem a ir ao garimpo.
Ao pedir leidiane de volta, estando ele mesmo distante, nascimento pede a sua própria volta, numa inversão de papel, afinal, leidiane permanece.
Não faz sentido voltar a quem não foi.
“Bebo, eu bebo mesmo, eu boto é pra beber
E com meus amigos eu bebo com prazer”
A sublimação e a transferência voltam com tudo no último verso, quando nascimento dá voz direta a leidiane. Aqui é leidiane que, pela primeira vez, fala, revelando que sua suposta infidelidade é mito. O lado machadiano de Nascimento se faz presente, como em toda boa narrativa, no último momento.
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Quarta-feira, Novembro 1
A PELEJA DE FACA FRÊRA COM O SEQUESTRADOR DE CANGACEIROS NA BAIXA DO SERTÃO... PARTE 03
Tu é um bom cangaceiro
Um cabra que nem se fala
Tu resolve teus problema
Na pexêra ou na bala
Eu num passo dum coveiro
De mim nada se dirá
Em briga de casório
Coveiro num mete a pá
Seu coveiro desgramado
Falador que só uma dama
Tu não fale assim comigo
Que o meu negão me ama
Quando acordo de manhã
Pra mim ele faz café
E antes de dormir
Ele me faz cafuné
Meu negão é carinhoso
E tem sensibilidade
Meu coração não agüenta
To morrendo de saudade
O coveiro fez um mungango
E olhou pra faca frêra
E continuou falando
Só olhando pra pexêra
Eu jná vi tudo na vida
Vi até mudo falar
Já vi no meio do enterro
O defunto levantar
Já vi cabra da peste
Se cagar de assombração
Mas nunca vi cangaceiro
Amigado com negão
Mas se vosmicê insiste
Amigou eu vou te contar
Faz pra mais de 15 dias
Que aqui eu vi passar
Um branquelo alto e loiro
Num alazão de grande porte
Logo atrás vinha um negão
Fungando no seu cangote
Coveiro fiduaégua
Se bote no seu lugar
Não me conte mais balela
Se não eu vou te sangrar
Eu juro não é mentira
E juro com os dois pé junto
Verdade como sou coveiro
Que vive de enterrar defunto
Faca frêra olhou pra ele
E pegou o seu facão
Cortou o pé do coveiro
E lhe decepou a mão
Arrancou o espinhaço
E disse, sô cangaceiro
Fafa frêra tem cagaço
Num suporta fofoqueiro
Saiu daquela cidade
Não queria mais voltar
Tanta infelicidade
Lhe fazia até chorar
A lágrima caía
Dos olhos de faca frêra
Como o sangue que escorria
Do fio de sua pexêra
Faca Frêra disse, deus!
Será o Benedito!
Eu só quero meu Negão
E isso eu tenho dito!
Sei que é tudo mentira
Ele me olha e me quer
E não anda encangalhado
Nos braços de um qualquer
O sol se punha vermelho
No horizonte do sertão
Fazendo do chão um espelho
De Faca Frêra e seu alazão
O espelho refletia
A tristeza do cangaceiro
Ou eu acho meu negão
Ou eu viro punheteiro!
(CONTINUA...)
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bruno azevêdo
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Terça-feira, Outubro 31
o matador de funcionários públicos - protocolo 10
Eu tinha perguntado de forma bem clara, simples e objetiva
Onde é o banheiro?
Como?
Onde fica o banheiro, minha senhora?
O que eu queria mesmo era mijar, mas eles não se ajudam
Achei o banheiro sozinho
Abri a maleta, desconfiam se for mochila
Eu me sinto repetitivo, mas a culpa não é minha não
É como se tudo fosse uma mijada
Você não deve acreditar nessas coisas
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bruno azevêdo
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10:11 AM
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Quinta-feira, Outubro 19
inveja do douglas adams. parte 01
AUTO DESTRUIÇÃO, só aperte em caso de destruição eminente, quando a única opção for morrer mais rápido. Garantimos aniquilação total em 10 segundos.
E o nome da empresa que fabricava estes sistemas
Curiosamente, era a parte mais lucrativa da indústria espacial. Motores, replicadores de comida, cadeiras acolchoadas multiraciais, displays multi (e meta) lingüísticos, daqueles que podem ser lidos em vários espectros; nada dava mais dinheiro que os sistemas de auto destruição.
Era a angústia do espaço.
Só temos uma hora de oxigênio
Bum!
Perdemos os motores
Bum!
A única coisa capaz de sobreviver à auto destruição de uma nave espacial era o bendito botãozinho verde.
E tinhas escrito, abaixo do botão, NE falácia. O raio trator da nave do capitão greknd vivi 4m2 (era um andróide), pescou o botão depois que ele ficou emperrado em um de seus motores, quase causando a queda da nave (queda no sentido espacial: inércia por algumas décadas, até encontrar um planeta com gravidade forte o suficiente para atraí-lo). A coisa que mais existe no espaço é o tédio.
greknd vivi 4m2 era um colecionador de botões de auto destruição. Não era por menos. Sua nave, a 46x2+150quantoé, já tinha mais de metade do seu casco revestido destes botõezinhos. Era com eles que ele pretendia fazer de sua nave a única indestrutível do mundo.
É óbvio que com uma arma tão poderosa ele pretende fazer muitas coisas malvadas, que ele já faz, mas que pretende tornar mais freqüentes à medida que a possibilidade de ser punido reduzir com a nova blindagem.
Quando começou sua coleta, greknd vivi 4m2 alegou que tinha o intenção de coletar a história daqueles bravos navegantes do espaço (os novos botões de auto destruição também eram caixas pretas), e reportava periodicamente suas descobertas, acalentando as famílias daqueles perdidos na imensidão vácua entre astros com as cartas de despedida de seus entes, ou imagens holográficas deles.
Ainda era pago por isso.
Antes que vocês comecem a detestar greknd vivi 4m2, saibam que ele não é um robô de todo mal.
Vou lembrar das três leis da robóticas:
01. um robô num pode matar alguém
02. um robô não pode ficar parado enquanto alguém morre, nem rir, a não ser que tenha algo da lei 01 prele fazer
03. um robô tem que tirar o dele da reta, a não ser que tenha algo da lei 1 ou 2 prele fazer
greknd vivi 4m2 acreditava que, guardando somente a memória das pessoas, ele tava tirando o dele da reta e ainda preservando todas elas. Se tinha que matar umas pessoas e se isso ia de encontro com a primeira lei, ai você vai discutir diretamente com ele. A coisa mais irritante sobre os robôs é que eles não conseguem ser incoerentes.
A verdade mesmo é que quando passaram a mandar os robôres fabricar os robôres, eles mudaram essas leis porque elas não tinham nada a ver.
A NE (nave espacial) falácia (isto não é português, portanto lê-se “aquela capaz de singrar o universo, de levar aquilo que é mais sagrado àqueles que estão mais na merda”) era uma nave-restaurante, e distribuía quentinhas neste setor da galáxia.
Com a instalação de um sistema de distribuição de quentinhas por teleporte, a NE falácia passou a viver somente dos donativos que recebia das famílias dos defuntos estelares, e grenkd vivi 4m2 pôde acelerar o seu plano de coleta de botões de auto destruição.
Foi ele que inventou o sistema de tele-delivery, mas quem fez o upgrade do microôndas na máquina de teleporte não foi ele não.
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bruno azevêdo
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10:26 AM
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Sábado, Outubro 14
SÓ A CABECINHA
O pau do velho era pequeno e murcho. Assim, morto, no frio, ficava menor ainda, com aquele monte de rugas sobrepostas que o faziam parecer bosta de cavalo no sol.
Mas não tinha sol porque era um necrotério fechado. A cidade faz um calor filhodaputa e o sol ajuda nas atividades autólitas do corpo.
Bota ele no maior, o lá do fundo, disse o legista.
Tem que esperar o doutor chegar.
Sei.
...
Já se tinha uma certa experiência nisso, de dissecações. Um pai de santo disse que se usassem a tal palha da baixada, ninguém nunca iria sacar.
O verbo era outro, mas funcionou.
Até o dia do terreiro, quando ele disse que era o Bandeira tribuzi.
E o que tu ta fazendo aqui? Que caboco qué?
Teria dado tudo certo se o dito num tivesse baixado também e desmentido tudo.
Sô eu não. Eu num baixo, só baixo pra desmentir caba safado.
E teve depois a do Montello, que foi a mesma coisa, mas num outro terreiro, da ilhinha.
Uns três anos depois a serpente finalmente despertou e ninguém mais deu importância pressas histórias de paus moles em necrotérios, que em pau mole, velho, ingiado e morto, só a cabecinha e o pau inteiro dá na mesma coisa.
♥
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bruno azevêdo
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Sexta-feira, Outubro 13
vai ter festinha!
gente,
o putaquipariu anda parado porque eu tô parado. sou um merda, eu sei, mas uym merda que vai fazer uma festinha neste sábado.
sábado, se você não quer ir pro marafolia, apareça lá na casa que vai rolar um sonzinho.
naquele horário.
se você tentou ir no mocotó, vc se fodeu porque não teve.
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bruno azevêdo
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10:29 AM
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Quinta-feira, Setembro 28
super mocotozada de inauguração
não vai ter o mocotó, mas o nome soou bem
eu não tenho vindo muito por aqui, passei só pra avisar que domingo, dia 01, tem a inauguração da minha casa nova (graça aranha, 113).
pintem por lá depois de fazerem papel de palhaço
levem presentes
quem não levar não ebntra
vai rolar babau do pandeiro
se eu não tiver lá, esperem
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bruno azevêdo
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9:36 AM
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Segunda-feira, Setembro 18
sarney
olha só. o bigode mandou tirar o blog da figura do ar. e tirou.
o povo do amapá tem mais culhão que no maranhão. talvez porque eles tenham tomado menos sarney no cu que nós.
eu acho que esse bigode é na verdade o próprio lábio do hômi. depois de tanto tempo, grudou. se ele tirar o bigode, fica com a chapa exposta. tem circulação ali, dá hemoragia.
tem outra que diz que antes de morrer ele vai reunir toda a cúpula no convento e transferir a mente pra outro corpo.
ele entende dessas coisas. tem um gólem até.
se eu fosse ele transferiria a mente pro corpo do marcos silva.
vote útero!
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bruno azevêdo
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9:14 AM
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Domingo, Setembro 17
o candidato que não faz merda!
olá! peço lincensa para entrar no seu lar.meu nome é grosso! sou um intestino com grande carreira política. acompanhei grandes obras e tive participação importante em decisões importantes no sosso importante estado.
por isso apresento meu nome para deputado estadual, para continuar fazendo por este estado o que seu povo faz de melhor!
nas próximas eleições, lembre de deixar a merda para quem entende: vote grosso!
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bruno azevêdo
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Sexta-feira, Setembro 8
EU GOSTO É MÊRMO!
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Quarta-feira, Setembro 6
pequenas vinganças
Já era desagradável por ser uma fila. Era desagradável porque eu tinha acabado naquela fila depois de um dia filhodaputa.
Fila pra comer
A menininha era gorda e era menina mesmo, entre 10 e 12.
Passou na minha frente.
A menininha gorda passou na minha frente.
Ei, porra!
Ela nem viu
Mal educada de merda. Ninguém nunca te ensinou que não se passa na frente dos outros
Nada. Pegou uma fritura.
Será o bebedito!
Nada
Ei, ei... sabia que tu nunca vai arrumar namorado? Ninguém vai namorar contigo porque tu parece uma porca!
Hein?
Ninguém vai te comer porque tu parece uma porca gorda. Nojenta.
Ela pegou mais fritura, mais batata, mais rolinho primavera
Porquinha nojenta. Gorda. Tu nunca vai arrumar namorado.
Ai eu passei
Acho que ela nem me ouviu, mas passei o resto da noite rindo como vilão de filme vagabundo.
Gordinha de merda. Tomara que ninguém coma aquilo mesmo. Eu não comeria.
A questão: depois de todo o meu deleite, foi incisivamente repreendido pela minha namorada. Ela ficou puta. Brigou, deu piti. Disse que a menina era só uma criança e que eu não deveria ter feito aquilo
Primeiro inciso
Mas ela era gorda... argumentei
Você não tem que ficar se trocando com crianças!
Segundo inciso
Nem as gordas? Repliquei
Nem as gordas!
Merda.
Como ela não ta aqui agora, to rindo
Ravengar
Fattymuppet
Todo mundo deveria tentar isso
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bruno azevêdo
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11:25 AM
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Quinta-feira, Agosto 31
teoria geral das gatas com problema


É SÓ UMA QUESTÃO DE TEMPO!
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Segunda-feira, Agosto 28
Quinta-feira, Agosto 24
o matador de funcionários públicos
eu vi uma luz enorme no céu e era ele
falei com ele
perguntei seu nome
o grande filho da puta
tinha uma arma apontada para mim e pediu que eu descesse, perguntou se eu sabia o que estava fazendo
sei, respondi
ele tava nervoso. pediu preu ficar de costas e botar as mãos pra cima. fiquei de costas ele não viu quando tirei a ripa da blusa
quebrei todos os dentes dele e entrei no prédio
se você quer fazer um grande efeito com esses caras vc tem que agir onde eles são mais frágeis
fui botando o chumbinho em todos os pacotes de café. chumbinho mesmo, vagabundo, de camelô
eu confio neles, nos camelôs
se você entrar na onda do café você se fode
café
pornografia
nova estagiária
churrasco de confraternizção
reacionário padrão
o grande filhodaputa
tem um primo meu que ta sem fazer nada
chumbinho é preto como a ausência de luz
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bruno azevêdo
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5:48 PM
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Sexta-feira, Agosto 18
esse é o ike nojo da gang do lixo
achei isso aqui hoje numa caixinhaessas coisas não existem mais
a primeira coisa em figurinhas que vi foi o ploc gigante, que hoje eu me lembro como um mundo inteiro desenhado com os pés do robert crumb
acho que comecei a ler quadrinhos pelos álbuns de figurinha e esperteza do meu pai
"figurinha eu não compro, pega uma revista"
uma figurinha sempre leva à outra, ele pensava
a revistinha vinha com várias
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bruno azevêdo
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10:58 PM
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Segunda-feira, Agosto 14
sobre as agentes de viagens
eu não comeria uma delas. é como aquela história da crente, ou da gorda que eu citei um dia desses
agentes tem fixação pelas palavras vip e urgente
superricaço com ejaculação precoce
agentes de viagem são bichos de baixíssimo escalão que trapeziam no glamour alheio, que urgem na urgência dos outros
nada como enervá-las
nada como deixá-las esperando até o último segundo
nada como tê-las na ansiedade que eles imaginam fazê-lo passar
com elas quase tudo, comê-las? jamais!
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5:43 PM
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Quinta-feira, Agosto 10
gordo

Passo boa parte do meu tempo procurando novos palavrões
Palavrões intuitivos, que soem naturalmente desagradáveis e que não estejam presos a nenhuma regra clara de moral ou execução pública
Não acho nenhum
Mas ai lembro das pessoas gordas. Há pessoas gordas
Tem a histórias da fila do banco:
Uma fila enorme, quilométrica, um paredão de funcionários públicos atrás de um balcão de madeira.
Uma mulher gorda aparece no final da fila
Gorda mesmo, daquelas que com certeza tem um pacote de bolacha na bolsa
Ela fica lá no final da fila
Vai pro caixa, pergunta alguma coisa. Volta
Eu falo com ela
Porque a sra ta no final da fila?
O caixa disse...
Mas minha senhora, exija seus direitos. A sra sabia que o lula aprovou uma lei que os gordos agora não enfrentam fila
É?
É? A sra, por exemplo, é gorda dão é?
É. Sou.
Desde quando a sra é gorda assim?
Desde pequena
Então vá, lá, minha senhora, vá lá no caixa. A sra ta com sua carteirinha de gorda ai?
Não
Não tem problema, gordo não precisa de carteira. Agora vá lá. Aproveite e pague essa continha aqui pra mim
Ela vai
Volta
E então
Ele disse que não tem nada disso, que gordo é igual a todo mundo
É nada, minha senhora. Gordo é cliente especial. A sra é gorda não é?
É. Se é assim, sou.
Acredite na senhora. Confie. Diga para mim: sou gorda!
Sou gorda!
Isso. Assim que se fala. Agora vamo lá que eu vou mostrar praquele caixa que se deve respeitar os direitos das pessoas gordas deste país
Ei eu grito:
GENTE! Ô, PESSOAL. O CAIXA AQUI NÃO QUER DEIXAR ESSA VELHA GORDA PASSAR NA FRENTE! ISSO É UM ABSURDO
Num banco lotado, qualquer reclame provoca comoção
Isso! Deixam a balofa passar!
É. Bota a baleia na frente
Eu digo:
Viu, minha senhora. É seu direito exija
Ela sai feliz
Paga a minha conta
O mundo é um nome feio
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bruno azevêdo
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Quinta-feira, Julho 27
BNG!
01
Bang, escuto. Bang, bang.
Denovo! Grita o oficial responsável.
O que vê. O que sabe.
Ele não precisa dizer, já estamos engatilhado. Nós três.
Bang bang bang
Só acaba quando um dos bangs difere, num baque surdo.
BNG!
Pelotão. Recolher!
Fui eu?
02
Tenho um tique. Mexo o indicador para a palma da mão. Duas, três vezes por segundo.
Se for o primeiro e for bang, não fui eu.
Mas somos sempre os três, juntos.
Ponho as mãos para trás e ando pelo salão devagar.
É que estamos em guerra, me diz um colega com um copo nas mãos.
É. Eu vi nos jornais. Parece que a coisa é séria.
03
Dizem que a bota tem que estar sempre impecável.
Olha-se muito para baixo aqui.
Liza, reluzente. O cadarço tão apertado quanto possível.
Isso eu aprendi.
Não se atira com o dedo. O dedo é somente o final de todo um movimento.
Que começa no pé.
Com a bota.
Tudo fica claro. O joelho levemente flexionado. Se você errar muito, por uma grande diferença, o que vê lhe denuncia e você passa a lavar banheiro.
Bang
Bang
Bang
Denovo!
04
No vestiário ninguém falca nada.
Silêncio sincronizado.
Botas
Divisas
Camisas
Chuveiro
Armários
Agora só amanhã.
05
Ela vem em sete meses.
Está a dois.
O tique no indicador se confunde com um carinho.
Tic
Tic
Tic
BNG
É mesmo preciso? Ela pergunta.
Não sei.
Saio.
06
Hoje eu sei que serei eu. Abro os olhos e vejo através da venda.
Ajusto a bota.
Denovo.
BNG
Bang
Bang
Quebro o silêncio no vestuário.
Fui eu. Hoje fui eu.
Tiram as botas.
Eu sei que fui eu. Eu vi. Vi através da venda. Se vocês fecharem bem os olhos, assim bem apertados, dá pra ver pelas costuras.
Tiram as camisas.
Você, por exemplo. Atirou um pouco pra cima, e você vai lavar banheiro por um mês inteiro.
O chuveiro não lava.
Só amanhã.
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bruno azevêdo
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1:08 PM
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Segunda-feira, Julho 24
Sexta-feira, Julho 21
Sobre o rei e a velhinha que não gozava
Tu devia escrever sobre isso
O que, amor
Essa historia ai que te falei, da novela
A novela?
É, a da velhinha que falou na novela
Ta.
Resumindo: ouvi em algum lugar que nessa nova novela todomundo trepa. A ana paula arósio faz cena pornô e tudo
Adorei
Um must
A pornografia é capaz de tudo redimir, principalmente a arte, mais principalmente a arte ruim como as novelas
A ana paula arósio trepando na novela das oito
Supimpa
E tem essa da velhinha que minha namorada contou
No fim da novela tem uns depoimentos de gente que trepa, ou não
Essa velhinha, por exemplo, não trepava. Trepar até trepava mas era como se lavasse louça
Até que um dia ouviu uma canção do rei e viu estrelinhas (foi cavalgada?)
Eu sempre falei que o rei é o cara!
A velhinha largou o marido sabão e esponjinha e foi dar pro peixoto carlos
E eu fui ver a novela
Fuquei puto!
Num é pornô, é punheta!
Um monte de globais falando sacanagem e outros draminhas atuais
A arósio só mandou um email e dormiu!
Depois inda apareceu uma mulher, a velhinha da vez, que disse que perdeu os três filhos, o marido, mas ainda assim é feliz!
Vá tomar no seu cu, velhinha desgraçada!
Feliz sou eu, que gosto do rei e inda tenho alguém pra me contar das pornografias da vida!
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bruno azevêdo
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